“A luta contra o alcoolismo em Cabo Verde é um combate dificílimo” – Presidente da República

  • 21/08/2019 04:48

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, considerou que a luta contra o alcoolismo em Cabo Verde é uma “corrida de maratona” e um “combate dificílimo”.

“A luta contra o alcoolismo em Cabo Verde é uma corrida de maratona, não é uma corrida de 100 ou 200 metros. E é um combate dificílimo”, defendeu o Presidente da República, argumentando que há no país hábitos e cultura enraizados do consumo do álcool “por tudo e por nada”.

“Ganha uma equipa de futebol, comemoramos com o álcool, baptizamos um filho, comemoramos com o álcool, casamos, assinalamos as bodas com álcool, temos uma derrota, curtimos a mágoa com o álcool. Até nos funerais por vezes temos tradição do uso do álcool”, acrescentou Jorge Carlos Fonseca, em declarações à imprensa na segunda-feira, 19, na cidade da Praia.

Entretanto, reconheceu o chefe de Estado, tem havido “progressos enormes” no combate ao uso excessivo do álcool, e, por exemplo, afirmou, a campanha “Menos Álcool, Mais Vida” fez com que se chegasse a um consenso político para a recente aprovação no parlamento da Lei do Álcool.

Jorge Carlos Fonseca citou ainda parcerias com mais de uma centena de entidades públicas e privadas.

“Tem havido experiências de festivais sem álcool, algumas câmaras municipais têm proibido publicidade estática relativo ao consumo de álcool, vamos continuar nesta luta, nós esperamos, sobretudo, que se criem condições para que a lei seja efectivamente aplicada, mas para isso tem que haver contribuição de todos”, acrescentou.

Quanto às reclamações dos que dizem que a lei do álcool, que entra em vigor a partir de 5 de Outubro, é demasiado rigorosa, o Presidente da República afirmou que não se pode ignorar que quando se faz este tipo de combate e luta se está a afectar “muitos interesses”.

Jorge Carlos Fonseca disse que se houver envolvimento de responsáveis municipais, dos órgãos policiais, dos media e das associações, de entre outros, haverá resultados práticos com a aplicação da lei do álcool.

“Vamos ser optimistas e pensar que, progressivamente, vamos avançando e que, daqui a algum tempo, não haja essa coisa de ‘txoma minis’”, finalizou.