Agentes da esquadra policial da Brava denunciam “péssimas” condições de trabalho que consideram também “desumanas”

  • 02/03/2019 13:22

Alguns agentes da esquadra policial da Brava procuraram hoje a Inforpress para denunciar as “péssimas condições” de trabalho que dispõem, neste momento, situação que consideram mesmo ser “desumana”.

Conforme relataram, os agentes vêm se confrontando com acontecimentos “desumanos e violadores dos direitos fundamentais e constitucionais dos trabalhadores”, afirmando que a situação é do conhecimento tanto da direcção da esquadra policial da Brava, do Comando Regional Fogo/Brava, da Direcção Nacional da PN, e do Governo, através do Ministério da Administração Interna, “mas ninguém toma as medidas necessárias para pôr cobro à mesma”.

De acordo com os agentes, já lá vão mais de seis meses que a esquadra policial vem funcionando sem casa de banho, porque a fossa da mesma ficou obstruída, razão por que eles mesmos “tiveram a ousadia” de procurar alguém que entenda do assunto para ver se conseguia remediar a situação, mas chegaram à conclusão que a solução do problema passa mesmo pela construção de uma nova fossa.

O pior da história, segundo avançaram, é que a referida “casa de banho” não tem água canalizada, é comum, ou seja, partilhada tanto pelos agentes masculinos e femininos, além de prestar serviço ainda ao público e aos detidos.

“(…) E com o tempo, a situação foi piorando, levando a que frequentemente ocorressem inundações de água e excrementos à mistura proliferando um cheiro nauseabundo, para não falar do aspecto repugnante, ou seja, um atentado à saúde pública”, descreveram.

Perante a situação, informaram que a Câmara Municipal da Brava disponibilizou uma casa de banho no Matadouro Municipal, que fica na adjacência desta esquadra, para ser usada pelo pessoal policial, mas acontece que o referido local “não possui as condições adequadas, tendo em conta que, quando abatem animais o local fica inundado de água, excrementos, sangue e restos de animais mortos e ninguém consegue usar o referido espaço”.

Entretanto, afirmam, por outro lado, que o edifício onde funciona a esquadra foi construído há mais de meio século e “nunca chegou a ter condições adequadas” para o funcionamento e as demandas de uma esquadra.

Além disso, no seu interior os quartos “não possuem estrutura de segurança e condições necessárias para funcionar” o serviço de atendimento ao público, camarata, celas para detidos masculinos/femininos, entre outros serviços.

“É na camarata que funciona a sala de refeição, as paredes estão em péssimas condições, com infiltrações de água das chuvas, criando bolor nas paredes, causando problemas de saúde para o pessoal, o tecto falso da referida casa está a deteriorar, chovendo excrementos de bichos de madeira, além de ter colchões com mais de 20 anos e a falta de lençóis”, explicaram os denunciantes, alertando que tudo isso “fere todos os direitos, liberdade e garantias dos trabalhadores, à luz do que está descrito na Lei Magna, no seu artigo 62º nº 1, sublinhando ainda que os trabalhadores têm direito a condições de dignidade, higiene, saúde e segurança no trabalho”.

Entretanto, conforme avançaram, existem planos para a construção de raiz de um novo edifício policial, mas não se sabe quando é que vão iniciar as obras.

Contactado pela Inforpress para reagir a esta denúncia, o comandante da esquadra policial da Brava, Arlindo Sanches, disse que esta situação “é do conhecimento das autoridades superiores e será resolvida ainda na primeira quinzena do mês de Março”.

O comandante, avançou ainda, que no âmbito de uma parceria com a Câmara Municipal da Brava, a autarquia cedeu um espaço e aguardam por pequenas intervenções no edifício de forma a adaptá-lo, para que os serviços da esquadra possam funcionar da melhor forma.

MC/FP

Inforpress/Fim