Brava: Bela da Lomba é uma rendeira movida pela paixão e não pelo rendimento

  • 11/04/2019 06:04

Bela da Lomba é uma bravense, que se dedica à confecção de rendas, há mais de 30 anos, não pelo rendimento, mas sim, porque ama o que faz e ama cuidar de cada detalhe e confeccionar ao gosto dos clientes.

Esta rendeira começou a fazer renda desde os 9 anos e, neste momento, já tem 45 anos e todos estes anos foram dedicados aos trabalhos manuais, dos quais consegue o sustento da sua família.

Bela trabalha com renda, bordado, reciclagem de tudo o que for possível e a costura.

Há menos de um mês, teve a oportunidade de participar numa formação de corte e costura, que lhe permitiu aperfeiçoar o seu talento e assim inovar naquilo que ela vem praticando desde a sua infância.

Conforme esta rendeira, aprendeu com a sua irmã mais velha, que depois seguiu os caminhos da emigração ficando Bela com este aprendizado, fazendo dele o seu ganha-pão.

Segundo Bela, o trabalho de rendeira não lhe garante um fim de mês fixo, porque há mês que ela vende outros nem tanto, mas, assegura que não está somente interessada em lucros, pois, dedica-se a esta profissão por amor e quando tem algum rendimento, faz a gerência para os dias que não factura.

Já participou em algumas exposições, como na Feira do Artesanato e Design (URDI) realizada em São Vicente, também participou no Atlantic Music Expo (AME) e em todas as exposições organizadas pela Câmara Municipal da Brava.

Para a mesma fonte, estas participações dão “mais visibilidade” ao seu trabalho e as pessoas começam a vê-la com outros olhos.

Entretanto, trabalhar nesta área não é bem um “mar de rosas”, porque além de não ter um rendimento fixo, a aquisição da matéria-prima, é um dos maiores entraves, porque, fica à mercê de favores e, por vezes, já perdeu clientes ou alguma encomenda por não ter uma fazenda, ou linha a gosto do cliente.

Neste quesito, Bela pede uma maior e melhor atenção por parte do Governo, em especialmente o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, no sentido de apoiar mais esta classe, porque, na sua opinião, “a cultura mais genuína da ilha não está sendo valorizada”.

“Pelo menos, que nos dê algum apoio, não monetariamente, mas sim uma oportunidade de conhecer outras ilhas, ou de criar condições para apoiar-nos na obtenção de vistos. Poderíamos viajar, além de demonstrar o talento das rendeiras da ilha, aproveitávamos para fazer um stock dos materiais necessários no nosso dia-a-dia”, explicou a rendeira, acrescentando que se têm algum apoio, este vem da câmara municipal.

Até porque, ela nem pensa somente nas rendeiras bravenses, mas sugere que pessoas da área de outras ilhas venham à ilha como forma de fazerem um intercâmbio e trocarem ideias uns com os outros.

“O meu maior desejo, é encontrar apoios, pelo menos para adquirir matéria-prima em grande quantidade e à minha escolha, assim como apresentar o meu trabalho ao resto do país e ao mundo”, finalizou Bela da Lomba.