Brava: Presidente da República “sensibilizado” com algumas situações de vulnerabilidade

  • 29/11/2019 12:06

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, mostrou-se “sensibilizado com situações de vulnerabilidade” presenciadas na sua visita a Santa Bárbara e com algumas preocupações colocadas pela população da ilha Brava.

O chefe de Estado disse que visitar a localidade onde possui recordações de infância e familiares, traz-lhe “muita satisfação”, mas que é misturada com “alguma tristeza”.

“Santa Bárbara é uma localidade que está num processo de degradação progressiva e quem vem a esta localidade agora não possui nenhuma ideia da Santa Bárbara do passado”, enfatizou Jorge Carlos Fonseca.

Segundo o mesmo, isto tem muito a ver com a emigração para os Estados Unidos da América, idade que leva ao falecimento das pessoas mais idosas, muitas vezes, acrescentou, as propriedades e as casas ficaram ao cuidado de pessoas sem grandes recursos.

Até, comentou que hoje, várias pessoas que agora residem na zona são antigos trabalhadores das pessoas que ficam a tomar conta das casas, ou conseguiram através do arrendamento, mas que não possuem espaço de cultivo agrícola.

Além disso, prosseguiu, é um local onde tradicionalmente tem menos chuva, menos colheita, mesmo nos anos agrícolas razoáveis ou bons.

Perante a situação presenciada e as preocupações levantadas pela população local, Jorge Carlos Fonseca salientou que é um sítio que necessita de reparação de prédios, porque possui muitos prédios degradados, e há alguns em perigo de cair.

Reparou também que os caminhos, apesar do trabalho da câmara municipal, das limpezas, estão pouco cuidados, entre outros aspectos.

“Vimos também pessoas que vivem em situações de pobreza extrema, sem acesso a casa de banhos, mas é um problema que a câmara não possui recursos suficientes para dar vazão a todas as solicitações”, acrescentou.

No caso de Santa Bárbara, adiantou que é um caso particular da ilha e talvez seja dos sítios mais pobres ou mais degradados, o que o leva a defender que a câmara municipal, com o apoio do Governo, deve fazer uma espécie de levantamento dos casos mais dramáticos, que merecem uma atenção urgente.

Precisou que a localidade talvez “não retrate” hoje em dia o estado da ilha no seu todo, ao falar de Nova Sintra, Nossa Senhora do Monte, Clara Alves e Cova de Joana entre outras.

Como recordações da infância, contou que brincou muito no seu tempo, o que considerou uma infância feliz.

“Corria de Santa Bárbara a Furna e vice-versa, ia buscar água em Vinagre com mulas ou burros, tomava banho na Furna, acompanhava os trabalhos agrícolas e de sementeira”, recordou, emocionado.

Mas também, não deixou de salientar que a localidade possuía muitas famílias com uma “situação económica razoável”, muitos empregos para trabalhadores agrícolas, e até funcionava uma espécie de solidariedade entre pessoas.

Na localidade de Furna, salientou que viu muitas coisas de que gostou, como a pedonal que “modificou” o rosto da Furna, novos estabelecimentos comerciais, início das obras da estação da dessalinzadora e reparação de prédios, entre outros.

Não obstante as coisas “boas”, disse que se deparou com algumas queixas por parte dos pescadores sobre a questão do isco, solicitando mais apoios para a pesca, e críticas a políticas do Governo em relação a acordos internacionais.

Continuou a defender que tem tido uma discriminação positiva por parte do Governo a nível de aumento de fundos, crescimento do apoio municipal, mas reforçou que a ilha precisa de um “empurrão”.

“É preciso um investimento mais forte, tendo em conta que é um município e uma ilha, que perde população, tem poucas pessoas, pouca capacidade de pressão eleitoral e exige um olhar especial de poderes públicos”, finalizou o chefe de Estado.

 

MC/AA

Inforpress/Fim