Cansaço dos partidos e a democracia representativa

  • 07/08/2017 00:00

Os partidos socialistas e sociais democratas do norte da Europa criaram uma Aliança para debater a crise dos partidos e dos sistemas partidários e procurar caminhos para o reforço da democracia representativa. Norberto Bobbio escrevera que os partidos têm um pé no Estado e outro pé na sociedade civil. Para Kelsen a democracia moderna é a democracia dos partidos. Ou seja, os partidos políticos são importantes pilares do Estado de Direito Democrático.

Fenómenos como a globalização, as migrações e o transnacionalismo têm desafiado o conceito de estado-nação e colocado novas questões à governança e à democracia representativa. Os partidos tradicionais estão em crise (França, Grécia, Itália, Espanha...) e emergem, aqui e acolá, partidos e movimentos radicais e populistas que disputam o poder, ainda assim, no quadro das democracias representativas.

Os populistas, quando chegam ao poder, colonizam a administração pública, manipulam as massas e hostilizam a sociedade civil, procurando cercear a liberdade de expressão e os espaços de dissenso. Acabam por desgastar enormemente os alicerces da democracia representativa. Veja-se o caso da Turquia de Erdogan ou da Hungria de Victor Órban.

Os democratas liberais e progressistas devem, para fazer face à situação, apelar aos valores da liberdade e igualdade, reinventar os partidos políticos e alargar os canais de participação dos cidadãos na formação da vontade política nacional e na governança.