Francisco Gomes, queixa de perseguição e discriminação e aponta o dedo ao Delegado do MED na Brava, Orlando Burgo

  • 03/12/2017 16:59

Cidade de Nova Sintra, 02 Dez (Bravanews) - Queixando de perseguições de que, na sua opinião, tem sido alvo por parte do Delegado do MED e de alguns coordenadores, Francisco Gomes apela a todos para que estejam atentos para o que se passa na Brava, que vai roçando a ditadura, nepotismo e discriminação.


Com um longo curriculum, o referido professor, embora com mérito pedagógico reconhecido, vem exercendo a função administrativa há vários anos no liceu Eugénio Tavares  e por causa disso diz-se não preparado para nova função que está sendo obrigado a exercer.

 De forma arbitrária, unilateral e altamente lesiva aos interesses dos alunos, Gomes disse que recebeu um despacho do actual Delegado do MED na Brava, Orlando Burgo, para se apresentar na escola de Cachaco dentro de 7 dias, onde ira trabalhar com alunos da referida localidade.

 

Sob capa de ter que substituir um professor por incompetência profissional (deveria ter um processo disciplinar), Gomes terá que voltar a sala de aula, uma década depois, por mera “perseguição política e capricho de alguém que não vê os meios para atingir os seus fins”, alega.

 

Este despacho teve como base um relatório elaborado pelos coordenadores Herculano Fernandes e Madueno Pires onde os mesmos informam de que o professor Henrique Coelho “não tem correspondido às exigências da docência facto revelado nas aulas ministradas sob a supervisão da coordenação pedagógica”, lê-se no documento que a Bravanews teve acesso. “Engraçado disso tudo é que as visitas ao professor e o relatório foi elaborado duas semanas após a comunicação oral de que eu iria a Cachaco”, estranha o professor Francisco Gomes.

 

Ao invés de levantar um processo disciplinar ao professor em causa por incompetência profissional, quem “ficou penalizado é o nosso interlocutor que irá substituir  o professor”, que segundo a coordenação, “nao tem correspondido às exigências da docência”, avança uma fonte junto a coordenação que pediu anonimato.

O professor ainda questiona a competência do Delegado em tirar o professor da sala de aula, quando a lei recomenda que para tal deve ser tidas em conta determinados requisitos como sejam um parecer médico e uma decisão da Comissão de Verificação de Invalidade. O Delegado Orlando Burgo por acaso é médico, ou os Coordenadores representam a Comissão para Verificação de Invalidade ou apenas um relatório de coordenadores que nada percebem da área médica conta e e suficiente para este decisão de retirar da sala um professor com muitos anos de experiência e colocar outro que está muitos anos exercendo funções administrativas?

Com 22 anos de serviço e 11 anos fora da sala de aula, “sem qualquer experiência com turmas compostas de terceiro e quarto anos”, Francisco Gomes disse que com esta “decisão os mais lesados serão os alunos”

 

Gomes ainda avança de que está com férias marcadas para Dezembro, de acordo com o mapa aprovado pelo próprio Delegado e até isso querem cortá-lo, infringindo todas as disposições legais.

 

Aliado a isso, Gomes tem em mãos o processo de emigração e dentro de dois meses, o mais tardar, “estarei fora de Cabo Verde” e pergunta, “faz sentido ir a Cachaco por apenas algumas semanas, tendo a Delegação necessidade de colocar um novo professor?”.

 

Para este professor, esta sua denúncia acredita que vai encorajar outros que estão sofrendo perseguição política e não sentem coragem de tornar público o sofrimento.

 

Em Cabo Verde existe muitos acto persecutores a servidores privados e públicos, todavia, na Administração Pública temos um agravante, quando o Gestor busca artifícios para se impor, por abuso de poder, para defender  interesses outros que nao o do serviço.

 

Gomes avança de que “desconfia” que na base desta decisão está o seu desacordo da forma como vem sendo gerido a educação na ilha, com actos sem razoabilidade, visando apenas atingir fins que não o sucesso dos alunos.

 

“Nao tenho alinhado e nem compactuado com determinadas decisões, particularmente sobre a questão da mobilidade dos alunos de Cachaço, com ações desmedidas de politicagem e estou sendo sutilmente perseguido para que sirva de exemplo aos demais, com intenção de a todos silenciar, um sistema opressor bem ao estilo de manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

 

A perseguição política, característica de gestores desqualificados e sem liderança, é uma das formas mais covardes de se manipular e pressionar os servidores, e para pessoas contactadas, “todos os partidos têm usado esta arma, como forma de condicionar as pessoas e prensar a liberdade de expressão”.

 

Gomes entende que esta  “remoção/transferência”  é um jeito velado de lhe perseguir, e com isto hipocritamente alegam elevado interesse de serviço, conforme despacho do Delegado.

 

Os casos de perseguição afloram quando “nossas opiniões incomodam ou desagradam os que estão no poder”, ou se determinadas atitudes ou decisões criarem embaraços na relação entre “chefe” e subordinado.

 

Para Gomes, fato é que temos na Brava, particularmente na educação, um alarmante número de supostos administradores que gastam demasiada energia investindo em medidas punitivas, “ameaças de processos, para os seus subordinados, ao invés de de votarem tempo e atenção para motivar, incentivar, qualificar cada trabalhador, na perspectiva de sua valorização e auto-estima”.

 

“Há professores que já foram chamados no Gabinete do Delegado para serem ameaçados”, avanca uma professora, e frases como “ainda não acostumaram com a derrota nas urnas e ainda não aceitaram o veredicto popular” ouve-se frequentemente da boca de quem, supostamente por lei, deveria pautar pela isenção, rigor e respeito pela diferença.

 

Valorizam as “picuinhas” e o pior, se cercam de pessoas “fingidas e interesseiras”, caso de “alguns coordenadores”, alega outro professor. São os Amigos do Poder. Incorporaram o adágio popular que diz: “é melhor puxar saco do que puxar a carroça”.

Amam o poder e por isso valorizam quem o detém, mesmo que tenham que compactuar com injustiças e pecados. Como se diz no popular - o diploma nem sempre é sinal de sabedoria. “Temos casos de professores que antes condenava a prática de perseguição, hoje concordam e até ajuda”.

Gomes, irritado disse que se torna interessante perceber “que existem pessoas que se acham imbatíveis, super poderosas. Será que não param para refletir que tudo passa tudo sempre passará?” pergunta.

Gomes vai mais longe e alega que a bem da verdade, a morte é a maior certeza da vida; então “por que tantos vivem atropelando os outros, desprestigiando, ferindo, implicando?”

Francisco Gomes não descarta ir aos tribunais para fazer valer o seu direito e inclusive pondera entrar com processo de calunia  e injuria, discriminação e favorecimento, contra Orlando Burgo, Herculano Fernandes e Madueno Pires,.

“É impressionante como o poder e o dinheiro interferem no comportamento de certas pessoas, transformando-as em seres frios, sem sentimentos e emoção’ que preocupam mais em se satisfazer, nao importando com as amizades, respeito e preocupação com o próximo”.

Na Brava vem passando fenômenos de perseguição permanente, as “pessoas estao medo de serem atropeladas pelo poder de um poder totalitário, sob a capa da democracia”, avança um deputado do PAICV na AM.

“Mas para a nossa felicidade a tempestade passa e o sol há de brilhar mais uma vez. E nós servidores de carreira, organizados em nossas entidades de classe, precisamos urgentemente derrotar a ditadura reinante na educação na Brava”, finaliza um professor da Furna.

Nota de rodapé: Todos os professores ouvidos, a excepção do Francisco Gomes, pediram anonimato, e no quadro da lei de imprensa, só revelaremos as fonte, em juízo.
 

MS