ILHA BRAVA E O SEU DESTINO - Jovino Peres

  • 13/09/2020 10:35


Li e reli o anúncio-propaganda do amigo e comandante Orlando Bala, sobre o seu apoio incondicional ao seu substituto e atual presidente da Câmara, mas senhor comandante, desculpe, fiquei sem saber em concreto a razão do seu apoio, escreveu muito e não disse nada que justifique esse apoio “Brava está melhor”, melhor porque o barco do Fast Ferry deixou de ter ligação regular com a ilha e perdemos o aeroporto, e por isso o isolamento é cada vez maior?
Senhor comandante, o Presidente da Câmara como sabe é suposto ser o administrador da ilha, e o mais importante não é estar perto dos pobres, mas sim ajudar a ilha a não ter gente pobre. Como? Fazendo trabalho de administração da ilha com o apoio do Governo Central, para dar mais educação, incentivar e promover mais formação e assim criar mais trabalho.
Vou tentar ser curto, mas concreto, senhor Comandante: o que a ilha Brava precisa e o que a ilha não precisa. Um país que vive de “esmolas” sem contrapartida, nunca será um país desenvolvido.
Um país só se torna um país de desenvolvimento, quando se investe e bem, e em países como Cabo Verde obrigatoriamente com o apoio dos Governos.
Com todo o respeito pelos que deram o seu melhor para o serviço público na ilha Brava, depois da independência, há 2 exemplos de investimentos na ilha que merecem o nosso apreço: o aeroporto com a lembrança de nhó Xico de nha Ângela e a da Fast Ferry com os investidores Nelson e Andy. Estes 2 projetos infelizmente não tiveram o acompanhamento devido dos Governos Centrais. Na minha opinião a ilha Brava por ser uma ilha pequena com poucos habitantes e principalmente pouco participantes na vida política, assim ainda pertencemos ao Arquipélago de Cabo Verde apenas no aspeto físico. No que diz respeito a projetos administrativos, tivemos apenas um Presidente que tentou introduzir na ilha um sistema de inclusão, o Camilo Gonçalves, que tentou “forçar” um transporte marítimo regular, com o apoio dos investidores da Fast Ferry. Explico melhor: as ilhas da Brava e Santo Antão são as ilhas que não têm transporte aéreo, a ilha Brava também não tem transporte marítimo, e por isso somos forçados a exigir o fim do isolamento, por via marítima.
Senhor Comandante já pensou que se a administração local atual encontrasse uma solução para resolver o problema dos terrenos e das casas abandonadas, a ilha Brava teria tudo a ganhar. Há que apresentar propostas, que sejam de agrado das partes.
Para terminar vou querer tocar na problemática da saúde, ou seja, na falta de um hospital na ilha com o mínimo de condições. Um hospital para a ilha Brava tem de ser obrigatoriamente um investimento público, e não um trabalho de um grupo de pessoas, por mais boa vontade que possa ter, pois além da sua construção, será de maior importância a sua manutenção. Apenas uma “dica” vejam como foi resolvido em 1975 o problema do Hospital da Praia, hoje Hospital Agostinho Neto.