Maria Pereira: Um regresso sentido, 40 anos longe da “minha Djabraba”

  • 11/11/2017 11:38

Conhecida como Maria Pereira, ou Maria Flor de Brava, conta para Bravanews o regresso a sua Djabraba, no passado mês de Junho, depois de 40 anos fora.

Dás a volta a ilha, vais aos pontos turísticos e regressas com a sensação de que tanto ficou por ver. Um dos motivos que convergiu para esta sensação, foi o tempo de estadia.

Foi assim que Maria Pereira descreveu a sua última visita a Brava, a primeira depois de ter saído há 40 anos, corria o ano 1977.

Do Fogo, queria de longe tocar a sua ilha, tamanha era a vontade de lá chegar. “Tive o privilégio de chegar a Brava ainda durante o dia, como era meu sonho”.

Na chegada quis beijar o chão, mas com medo de ser mal interpretado nao o fiz. Adoro a minha ilha”.

Uma ilha tão generosa em beleza e segredos que te vai pedir que lhe dediquemos tempo.

 

O melhor dos planos é não fazer planos, e deixar que o lugar nos leve! Brava, para Maria Pereira, é uma ilha onde precisas de tempo para te permitires ouvir o que a terra, o mar e o vento te confidenciam.

Confidências de longos 40 anos que ficaram apertados no peito, massacrados pela vida dura da emigração, acumulados com a dor da saudade e da lembrança de uma infância.

“Por isso voltei? Para rever o que vi, ver o que não vi, recriar o que vivi e prolongar-me no tempo.”

 

Pereira, disse que Brava é linda e sensual. Em cada curva faz-nos suster a respiração e em cada recanto suspirar. A natureza  no expoente da perfeição. É o que sentimos quando percorremos as vilas e aldeias da ilha Brava.

É o que experienciamos quando furamos a pouca vegetação ou passeamos na praça Eugénio Tavares, com suas plantas e flores, verdadeiras criações de amor. É o que se revela quando passamos pelos Miradouros, todos eles, cada um à sua maneira, com vistas únicas deslumbrantes.

 

“Não posso deixar de destacar as belas paisagens de Mato Grande e Nossa Senhora do Monte. De uma freguesia para outra, o passeio faz-se por uma espécie de pequenos presépios, culturalmente emoldurados. Os espaços públicos parecem jardins privados e as bermas da estrada parecem canteiros tratados”.

Pela origem vulcânica, que se expressa nas formações geológicas da ilha, Brava mostra a sua impetuosidade e expele a sua fogosidade.

Maria Pereira voltou da ilha extasiada e com o coração tocado relativamente às necessidades da população, e preocupada com a situação de crianças e jovens.

"Prometo voltar! Porque me apaixonei pelo lugar que junta terra, mar, montanhas, crateras, vulcões, vegetação... e muitas estórias", disse!