O país e a tentativa de caça às bruxas

  • 10/08/2017 00:00

A par das denúncias de condicionar e silenciar a posição democrática, personalidades independentes procuraram o Asemanonline para alertarem sobre aquilo que consideram ser indícios por parte do actual poder hegemónico saído das eleições de 20 de Março de querer pôr em marcha uma estratégica «de caça às bruxas» no país. Consideram ser uma forma de se tentar criminalizar políticos em praça pública sem que tenham culpa formada pelos tribunais. Um facto que, segundo eles, pode ser prejudicial para a afirmação e consolidação da nossa jovem democracia.


Para os críticos, tal estratégica traduz-se nos frequentes discursos de pressão à justiça para criminalizar gestores e membros do anterior governo, tendo como epicentro o Ministério das Finanças e o parlamento através da ala mais radical do partido no poder. Apresentam como exemplos as persistentes investidas - de julgamento na praça pública - contra a ex-ministra das Finanças, a antigos gestores do IFH, do Novo Banco, da TACV, do Fundo do Ambiente, entre outras instituições. Estas têm sido alvos de fortes críticas, cuja gestão está a ser objectivo da CPI ou da fiscalização pelo MP.

Realçam, no entanto, os interlocutores deste jornal ser normal que num Estado de Direito Democrático os gestores e políticos sejam responsabilizados por irregularidades na gestão da coisa pública. Mas advertem que o poder político tem de deixar os magistrados do Ministério Público e da Magistratura Judicial a trabalharem de forma independente e sem pressão – regista-se discursos permanentes de apelos à justiça através de determinados órgãos da comunicação social pública.

Tendo em conta o poder hegemónico existente no país – MpD tem a Presidência da República da sua sensibilidade, domina o Parlamento e o Governo, possui 20 das 22 Câmaras Municipais do país, controla os meios públicos da comunicação social e a administração pública – alertam as mesmas fontes que o poder judicial e a imprensa -4º Poder- têm de ter a equidistância necessária, porque são os únicos instrumentos que a sociedade civil tem a seu dispor para fiscalizar e controlar o abuso do poder e a gestão da coisa pública.

Ou seja, para as nossas fontes, mesmo havendo processos para a responsabilização de gestores e políticos por eventuais irregularidades na gestão da coisa pública, não há lugar para a radicalização da política e caça às bruxas, quer do lado da oposição, quer do lado do partido no poder. É que, segundo concluem, Cabo Verde tem de continuar a ser um exemplo da democracia e boa governação em África.


Asemana