Oposição cabo-verdiana diz que Orçamento "é de frustração e desesperança"

  • 29/11/2017 10:46

A líder da Oposição cabo-verdiana, Janira Hopffer Almada, disse hoje ,(27), que a proposta de Orçamento para 2018 é de "frustração e desesperança", considerando-a (ver discurso na rubrica Registo deste site) "insensível" à difícil situação da população afetada pelo mau ano agrícola.

"É um orçamento de frustração preparado com muita cosmética e acompanhado de uma grande operação de marketing. Na sua preparação, encenou-se uma grande operação de auscultação de todas as forças vivas, mas as suas propostas não foram absorvidas. Prometeu-se que ia à concertação social, mas os parceiros ficaram apenas nas linhas gerais", disse Janira Hopffer Almada.

A proposta de Orçamento de Estado para 2018 começou hoje a ser discutida no Parlamento cabo-verdiano.

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, considerou que, ao terceiro Orçamento que apresenta, o Governo do Movimento para a Democracia (MpD) continua a falhar no cumprimento das principais promessas.

"Contrariamente àquilo que se esperava não vem cumprir os principais compromissos assumidos com os cabo-verdianos. É de desesperança porque dá uma machadada na esperança daqueles que acreditaram que 2018 seria o ano da mudança de rumo e das respostas concretas para os seus problemas", disse.

Janira Hopffer Almada lamentou nomeadamente que continue fora do Orçamento de Estado o prometido aumento dos salários da função pública e das pensões e que, perante o mau ano agrícola causado pela seca, não tenham sido reforçados os programas sociais para apoio às famílias que vivem da agricultura.

"É insensível à grave situação porque passa parte significativa da população a braços com o mau ano agrícola e com o disparar dos preços dos produtos essenciais", sublinhou.

Para a líder da Oposição, a proposta orçamental do Governo "empobrece o país e aumenta as desigualdades sociais e as assimetrias regionais", não apontando, segundo Janira Hopffer Almada, qualquer proposta para a criação de emprego ou para minimizar o impacto do aumento dos preços dos bens essenciais.

"As promessas são generosas, mas as respostas minguadas", disse.

No mesmo sentido, o líder do terceiro partido cabo-verdiano com assento Parlamentar, a União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, considerou que o Orçamento "não satisfaz", nomeadamente nos "valores necessários" para passar da "narrativa" que enuncia "à prática" necessária.

"O Orçamento não olha de forma clara e objetiva para problemas dos cabo-verdianos", disse António Monteiro, destacando a não atualização das pensões e a injustiça na distribuição do investimento pelas ilhas.

Como exemplo, apontou o caso da ilha Brava, uma das que maiores dificuldades enfrenta, nomeadamente devido ao problema das ligações marítimas, e que têm orçamentados investimentos de pouco mais de 250 mil euros.

"Não podemos enchera a boca para dizer que estamos a tratar as ilhas da mesma maneira", disse.

Por seu lado, o líder do Movimento para a Democracia (MpD), maioria, Rui Figueiredo sublinhou o facto de este ter sido o Orçamento mais participativo de sempre, considerando que permitirá "corrigir assimetrias regionais e desigualdades" e "desenvolver Cabo Verde e todas as suas ilhas".

Para Rui Figueiredo Soares, a proposta orçamental do Executivo favorece a consolidação do crescimento económico e a inserção do país na economia mundial. Fonte: Lusa