Paludismo com contornos preocupantes em Cabo Verde: Surto da doença dispara para 425 casos desde o início do ano

  • 08/11/2017 15:44

Está a assumir contornos preocupantes com impacto negativo no fluxo de turismo o surto da malária que ataca Cabo Verde. Dados mais recentes revelam que já se registou 425 casos de paludismo desde o início deste ano. É destaque que 137 dos quais ocorreram em Outubro, que se tornou no pior mês em termos de número de infecções, segundo os dados oficiais.

Com epicentro na cidade da Praia, as medidas do Governo para travar o surto de paludismo não tem ainda surtido efeitos desejáveis. Como consequência, a situação está a ter reflexo negativo no fluxo turístico, principalmente a nível dos países que mais procuram Cabo Verde como destino turístico - Portugal é um deles, segundo alertou recentemente o presidente da Câmara de Comércio de Sotavento no programa Entrevista da TCV. Por isso, critica-se o desempenho das estruturas dependentes do Ministério da Saúde e da Câmara Municipal de Óscar Santos.

De acordo com o mais recente relatório epidemiológico do Serviço de Vigilância Integrada de Resposta a Epidemias (SVIRE), até 05 de Novembro, tinham sido registados em Cabo Verde 425 casos de malária, 407 contraídos localmente e 18 importados, dois dos quais resultaram em morte - uma vítima na Praia e outra no Mindelo.

O mesmo documento aponta que só no mês de Outubro foram registados 137 casos, número que ultrapassa o do mês anterior (132), que era até então o pior mês do ano em termos de propagação desta epidemia.

A fazer fé nos dados referidos, o número de casos de paludismo duplicou entre a primeira e a segunda quinzena do mês em referência, com 35 e 95, respectivamente.

Já na semana de 29 de Outubro a 05 deste mês, foram registados nove casos de paludismo, comparativamente com os 54 diagnosticados na semana anterior.

De ressaltar que o número de casos de paludismo em Cabo Verde tem vindo a aumentar-se desde Junho: 44 em Julho; 83 em Agosto; 132 em Setembro e 137 em Outubro. Isto apesar das autoridades terem tomado medidas de desinfestação das casas e de limpeza de bairros, um pouco por todo o arquipélago.

Conforme as autoridades sanitárias, a maioria dos casos de paludismo foi detectada na Capital do país, sendo que os doentes são, na sua maioria, homens com mais de 20 anos. “Os bairros da Várzea (64), Achada de Santo António (33) e Achadinha (29), na Cidade da Praia, são os que mais casos têm registado, estando a doença a ser tratada como uma epidemia pertinente. Este é o maior número de casos de paludismo registados em quase 30 anos em Cabo Verde ”, conclui a fonte deste jornal.

 

asemana