Primeiro acto de “rebeldia” de Augusto Neves: Edil apela ao voto na Regionalização e exige, também, quatro voos da CV Airlines para S. Vicente

  • 25/10/2018 14:26

O presidente da Câmara Municipal de São Vicente convocou hoje a imprensa no Mindelo para lançar um “forte” apelo aos deputados nacionais, sobretudo os eleitos por esta ilha, no sentido de votarem favoravelmente a Regionalização, numa altura em que o Parlamento se prepara para aprovar este importante diploma. É que Augusto Neves acredita que o desenvolvimento de São Vicente depende da descentralização, o que não se verifica neste momento, citando como exemplo o anúncio de quatro voos da Cabo Verde Airlines nos percursos Praia-Lisboa, quando esta operadora aérea deixou de fazer escala no aeroporto de S. Pedro nas rotas internacionais. Neste momento, como relembra o autarca do Mindelo, a TAP – Transportadora Aérea Portuguesa – é a companhia que tem assegurado ligações com S. Vicente, no entanto, no seu entender, essa empresa tem estado a sufocar este destino.

Neste que é o seu primeiro “acto de rebeldia” para com o Executivo, o edil mindelense pergunta ao Governo se São Vicente não é Cabo Verde e pede o mesmo tratamento para a sua ilha por parte da companhia aérea de bandeira, ou seja, quatro voos para Europa.

Segundo Augusto Neves, após décadas de muita discussão e debate, a Regionalização chegou ao seu ponto mais alto, que é a sua aprovação pelos deputados nacionais. Por isso, afirma, decidiu apelar a todos os deputados, sobretudo os eleitos por S. Vicente, a aprovação no Parlamento do diploma da Regionalização, até por se tratar de uma vontade do povo de Cabo Verde. “O desenvolvimento desta ilha e do país carece, com urgência, da Regionalização. São Vicente tem certeza de que todos os deputados nacionais eleitos nesta ilha – MpD, PAICV e UCID – irão votar a favor da Regionalização”, pontua, realçando que a Constituição da República oferece as condições necessárias para a sua implementação.

Por outro lado, prossegue, o povo também há muito augura por este momento. “As ilhas e os municípios gritam há décadas pela descentralização e pelo desenvolvimento harmonioso do país. Isto só é possível com a Regionalização. As ilhas necessitam de mais poder de decisão para o seu desenvolvimento. A concentração excessiva de poderes e recursos na Capital tem levado ao empobrecimento do país e à migração do povo das ilhas. A Regionalização trará melhor partilha dos recursos nacionais e a fixação nos seus concelhos”, justifica Neves, que diz ter a convicção de que os deputados têm consciência destes fenómenos, pelo que é preciso ultrapassar as barreiras partidárias e dizer sim à Regionalização.

Um dos malefícios desta concentração de poderes é, na lógica desse presidente, o sufoco imposto a São Vicente pela transportadora aérea portuguesa, nos seus voos para a Europa, praticando preços incomportáveis de passagens, duas vezes superiores aos nas linhas Praia-Lisboa e Sal-Lisboa. E ainda com excessivas restrições aos empresários e empresas desta região. “Por que razão preços diferentes se as distâncias são iguais e se estamos no mesmo país, com o mesmo Governo? Porque os empresários e empresas enfrentam inúmeras dificuldades de entrada e escoamento dos seus produtos, ao contrário dos colegas das outras ilhas, se estamos no mesmo país e pagamos os mesmos impostos?”, indaga.

E isso numa altura em que a Cabo Verde Airlines – ex-TACV – anuncia quatro voos nas linhas Praia-Lisboa, o que leva Neves a perguntar ao Governo se São Vicente não faz parte de Cabo Verde. “Pedimos a mesma atitude e que esta ilha seja também contemplada com quatro voos semanais dos Cabo Verde Airlines”, desafia, lembrando que São Vicente é a segunda ilha com maior peso na estrutura do PIB e a que mais exporta, respondendo por mais de 70% do total das exportações do país. Só estas razões, de acordo com o edil, já justificam a Regionalização.

 

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