Quirino do Canto - De Galinheiro, Fogo, para os palcos do Mundo

  • 01/09/2019 12:37

Cidade de Pawtucket, 01 Set 2019 (Bravanews) - Cantor Quirino do Canto traz no coração e na bagagem a história da ilha do Fogo, bebendo na fonte, a inspiração musical.

Criado no meio de grandes músicos, Quirino do Canto traz com ele a semente tipicamente cabo-verdiano, com particular destaque para a sua ilha do Fogo.

“Não sou do Fogo, mas sim de Galinheiro”. É assim que se identifica o homem que nasceu naquele Povoado de “Galo 30, Galinha 40”, no norte do Concelho de  S. Filipe. 

Povoado este que deixou em 1963 quando chega aos Estados Unidos para se juntar ao pai com o qual já dava uns toques no cavaquinho e viola ainda em Cabo Verde. 

Em 1966 já acompanhava o seu pai nas tocatinas. 

Em 1969, teve o privilégio de acompanhar o histórico Bana em digressão pela América com Taninho Évora e  outros.

Esteve na base da fundação do histórico agrupamento musical Matchona ao lado do conhecido Jean Da Lomba, Mike Costa, Lourenço e Malaquias em 1972, ainda antes do contributo , mais tarde, do  Johnny Teixeira, Tudji , Tony Óscar e Djosinha artista que admira e que o incentivou a cantar.

O Matchona , grupo que marcou uma época na comunidade deixou seu legado  num LP gravado numa digressão à Califórnia.

Já em em 1979 forma os Do Canto Brothers com os irmãos.

Prosseguiu a odisseia  musical com os grupos Contratempo e mais tarde o Jam Band.

Em 1985 gravou “Cabo Verde Poema Tropical” com o maestro Paulino Vieira. Em 1987 fez parte dos mais de 50  artistas que participaram no projecto da “Help-CV” “Peace and Unity” também sob a orquestração de Paulino Vieira.

Em 1991 figura num conjunto de artistas que participaram no CD “Lembransa’l Mudansa” com Ramiro Mendes.

Participou depois no álbum do violinista  Linkin “Talaia Baixu”, antes de participar numa faixa do cd da Gardénia Benrós juntamente com Talulu e  Pepé Bana.

Várias vezes homenageado, Quirino é um artista que colabora nas principais actividades da comunidade e é um activista cultural que integrou o movimento independentista já em 1973 aquando de uma digressão do  comandante Jota Jota aos Estados Unidos. 

As músicas de intervenção estavam em voga, motivo de alguma rejeição por parte de um extracto da sociedade, averso a esse movimento.

Em Cabo Verde, deixou sua marca  actuando nos Festivais da Baía das Gatas e de S. Filipe e em alguns centros culturais mais emblemáticos. 

Entre 2011 a 2014 custou-lhe ultrapassar a fase mais atribulada da sua vida, com a perda , nesse período, dos pais, um irmão e sua esposa aos quais dedica este trabalho. 

Desmotivado com o rumo que a música levava, eis que só decide gravar, a solo,  34 anos depois, incentivado por vários músicos e, particularmente, por Ney Miranda e pelo produtor Armando Madeira da Scuta Productions.

Este CD,  um tributo a Talaia Baixu, contém 11 temas, 8 das quais inéditos num convite ao quotidiano e episódios marcantes da terra. Outros temas badalados , mas  nem por isso menos atractivos, e a rapsódia com que obrigatoriamente brinda seus fãs, completam este documento musical com a marca de uma das mais brilhantes vozes de Cabo Verde de sempre