Tempos de (in)Certezas, do Embaixador Jorge Tolentino

  • 17/09/2019 06:14

O que eu disse de MASCARENHAS MONTEIRO na apresentação do Livro Tempos de (in)Certezas, do Embaixador Jorge Tolentino, 17.06.2016

O livro é dedicado a António Mascarenhas Monteiro, o primeiro Presidente da Republica eleito democraticamente. Um homem de Estado, probo e exigente, um democrata, um amante da liberdade e um promotor do bem comum, um conhecedor profundo da realidade nacional e das relações internacionais, Mascarenhas Monteiro foi uma referência para todos nós em termos de construção do Estado de Direito Democrático. Enquanto Presidente do PAICV e Primeiro-Ministro tive a sorte de trabalhar, ainda que por pouco tempo, com o Presidente Mascarenhas Monteiro. Pude surpreender um homem humilde, porque sage, um árbitro competente e discreto do jogo político, uma reserva moral da República, aquele que “adverte e aconselha”, para usar os termos de Aristides Lima, no seu livro Estatuto Jurídico Constitucional do Chefe de Estado, um estudo de Direito comparado. Mascarenhas Monteiro exerce as funções de Presidente da República com muita serenidade, adequado distanciamento, profundo respeito pela Constituição e total lealdade aos demais órgãos de soberania. Em nenhum momento quis ser “mais do que a Constituição permite” ou “aceitar ser menos do que a Constituição impõe”, como brilhantemente disse o Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa, na cerimónia de posse.

Mascarenhas Monteiro era muito exigente, consigo próprio e com os outros. Não tolerava a mediania, os desvios e a falta de rigor e transparência na gestão da coisa publica. Pouco dado a fanfarras e a demagogia, não publicou os seus discursos, seriam com certeza um poderoso contributo para os governantes, os jurisconsultos, os atuais e os putativos políticos e politólogos. Enfim, um homem maiúsculo da política cabo-verdiana, honesto, decente e incorruptível. Não é comum, nos tempos que correm, um Presidente da República, depois de 10 anos de mandato, deixar o poder limpo como a água da lagoa e pobre como Lázaro.

Ao homenagear Mascarenhas Monteiro, Jorge Tolentino mostra-nos os caminhos da República, nestes TEMPOS DE inCERTEZAS”