Crise nos transportes e turismo de baixo nível aquisitivo ameaçam hotelaria na Ilha Brava

Cidade de Nova Sintra, 18 de Abril de 2026 (Bravanews) – O desabafo é de quem investiu no sonho e agora esbarra na realidade logística de Cabo Verde. Em entrevista exclusiva à Bravanews, Marco Agostinho Giandinoto, proprietário da unidade hoteleira Djabraba Eco's Lodge, pintou um cenário sombrio sobre o estado atual do setor do turismo na "Ilha das Flores".

Apr 18, 2026 - 18:30
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Crise nos transportes e turismo de baixo nível aquisitivo ameaçam hotelaria na Ilha Brava

O empresário, que recentemente concluiu obras significativas de modernização no seu estabelecimento, afirma que a falta de connectividade marítima está a estrangular a economia local e a afastar potenciais visitantes.

Giandinoto não esconde a frustração com o hiato entre o esforço privado e o apoio infraestrutural público. Segundo o proprietário, o montante injetado na renovação do hotel não está a ter o retorno esperado devido à irregularidade das ligações marítimas, que continuam a ser o "calcanhar de Aquiles" da Brava.

"Gastei muito dinheiro na renovação e requalificação do espaço e nada de Turismo", lamentou o empresário à Bravanews.

Sem voos e dependente exclusivamente de barcos que, muitas vezes, enfrentam cancelamentos ou horários incertos, a Brava torna-se um destino de difícil acesso, desencorajando o turista que procura conforto e previsibilidade.

Para além do problema dos transportes, Marco Agostinho Giandinoto lançou críticas contundentes à qualidade do fluxo turístico que chega à ilha. O hoteleiro classifica o turismo actual na Brava como sendo de "baixo nível", referindo-se ao reduzido poder de compra e à falta de disposição para gastos significativos.

  • Turismo Internacional: Segundo Giandinoto, os estrangeiros que visitam a ilha demonstram uma contenção excessiva, evitando consumos que sustentem a hotelaria de qualidade.

  • Turismo Nacional: O cenário piora no mercado interno. O empresário aponta que o turista nacional contribui ainda menos para a rentabilidade dos negócios locais.

O Djabraba Eco's Lodge, desenhado para ser uma referência de sustentabilidade e conforto, encontra-se agora numa encruzilhada. A análise de Giandinoto reflete um sentimento comum entre os operadores económicos da ilha: sem uma solução definitiva para os transportes marítimos, a Brava corre o risco de ficar estagnada num modelo de turismo de passagem, sem valor acrescentado.

O apelo dos empresários locais é claro: é urgente repensar a estratégia de promoção da ilha e, acima de tudo, garantir que quem queira visitar a Brava tenha formas seguras e regulares de lá chegar. Caso contrário, investimentos de milhares de euros continuarão a ser "dinheiro deitado ao mar".