Jovens da brava ameaçam boicotar presidenciais por falta de mudanças e descontentamento com a situação da ilha

Cidade de Nova Sintra, 06 de Novembro de 2026 (Bravanews) - Um número significativo de jovens da ilha Brava manifesta descontentamento com a situação socioeconómica da ilha e com a falta de perspetivas de futuro, admitindo que não pretende participar nas próximas eleições presidenciais em Cabo Verde. Em contactos realizados pela Bravanews, vários jovens demonstraram frustração com aquilo que consideram ser a ausência de mudanças concretas na vida da população.

Nov 6, 2026 - 17:58
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Jovens da brava ameaçam boicotar presidenciais por falta de mudanças e descontentamento com a situação da ilha

Segundo os jovens contactados, a Brava continua a enfrentar problemas estruturais que dificultam o desenvolvimento da ilha, nomeadamente a falta de oportunidades de emprego, a saída constante de jovens, as dificuldades económicas e aquilo que descrevem como um sentimento crescente de abandono.

“Não vou votar, porque estamos vendo que eles estão cada vez mais ricos e nós continuamos na mesma”, afirmou um jovem da localidade de Lagoa, manifestando a sua insatisfação com a classe política e com a falta de resultados que, na sua opinião, deveriam traduzir-se em melhorias nas condições de vida da população.

Por sua vez, outro jovem, residente em Lomba, afirmou que o nível de corrupção em Cabo Verde está a aumentar e que, perante aquilo que considera ser a falta de responsabilização, decidiu nunca mais participar em atos eleitorais. Para este jovem, votar deixou de representar uma oportunidade de mudança.

As preocupações manifestadas pelos jovens vão além das eleições presidenciais. Muitos consideram que a ilha Brava continua a perder população, oportunidades e capacidade de atrair investimentos, enquanto os problemas relacionados com transportes, saúde, educação e emprego permanecem sem respostas satisfatórias.

O sentimento de desencanto com a política poderá representar um sinal de alerta para os partidos e responsáveis políticos, sobretudo numa ilha onde a emigração juvenil e o envelhecimento da população constituem desafios cada vez mais preocupantes. A abstenção, neste contexto, poderá refletir não apenas desinteresse eleitoral, mas também uma profunda crise de confiança nas instituições e nos seus representantes.

Apesar das declarações recolhidas, não é possível afirmar que todos os jovens da Brava partilham esta posição. No entanto, os testemunhos ouvidos pela Bravanews levantam uma questão importante: como convencer a juventude a continuar a acreditar na democracia e no voto quando uma parte dela sente que, independentemente de quem governa, a sua realidade permanece praticamente inalterada?


MS