Militantes do PAICV acusam Direção política na Brava de criar cisões internas e Deputados municipais ameaçam chumbar Orçamento de 2027

Cidade de Nova Sintra, 07 de Outubro de 2026 (Bravanews) - Militantes do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e alguns deputados municipais eleitos pela bancada do partido na Assembleia Municipal da Brava estão a manifestar descontentamento com a forma como a actual direcção política do partido no concelho estará a gerir propostas para nomeação de pessoas para cargos dirigentes na ilha.

Oct 7, 2026 - 18:21
 0  96
Militantes do PAICV acusam Direção política na Brava de criar cisões internas e Deputados municipais ameaçam chumbar Orçamento de 2027

Numa mensagem enviada à Bravanews, sob pedido de sigilo, os militantes alegam que o processo de escolha e encaminhamento de nomes para determinados cargos públicos estará a gerar desentendimentos internos e a provocar um sentimento de divisão entre sectores do partido.

Segundo os mesmos militantes, a contestação não está relacionada apenas com os nomes que vêm sendo apresentados, mas também com os critérios e a forma como as decisões estarão a ser tomadas. Alegam que alguns militantes se sentem afastados dos processos e consideram que deveria existir maior diálogo interno antes da apresentação das propostas.

Os críticos acusam, particularmente, o atual presidente da Comissão Política do PAICV na Brava de estar a contribuir para uma crescente cisão no seio da estrutura partidária local. A Bravanews não conseguiu, até ao momento, obter uma reação da direção política visada às acusações apresentadas pelos militantes.

A tensão, segundo as mesmas fontes, poderá ultrapassar as estruturas internas do partido e acabar por ter consequências no funcionamento da Câmara Municipal da Brava, liderada pelo PAICV. Alguns deputados municipais estarão, de acordo com os denunciantes, a considerar assumir uma posição mais crítica e radical em futuras votações.

Entre as possibilidades apontadas está a ameaça de alguns deputados não apoiarem o Orçamento e o Plano de Atividades da Câmara Municipal para 2027, caso não sejam esclarecidas as divergências e não haja mudanças na forma como estão a ser conduzidos determinados processos de nomeação. Trata-se, contudo, de uma posição atribuída pelos militantes às pessoas envolvidas e que ainda não foi confirmada publicamente pelos deputados em causa.

A eventual rejeição dos instrumentos de gestão municipal poderá transformar as divergências internas num problema político com impacto direto na governação da autarquia. No final de 2025, a aprovação do Orçamento e Plano de Atividades da Câmara para 2026 já esteve no centro da disputa política municipal, tendo os deputados do MpD Samuel Varela e João Paulo Gomes da Silva votado favoravelmente os documentos apresentados pelo executivo liderado por Amândio Brito. 

A situação agora denunciada coloca, assim, novos desafios à direção local do PAICV, num momento em que o partido governa a Câmara Municipal e procura manter a coesão da sua representação política. As acusações foram feitas sob condição de anonimato e, até ao momento, não constituem uma confirmação independente dos alegados conflitos internos, ficando por esclarecer se haverá uma resposta formal da Comissão Política ou dos deputados municipais envolvidos.

MS