Relatório de Inspeção Interna levanta suspeitas sobre retirada de bens dos armazéns da CMB pelo ex-Presidente Francisco Tavares
Cidade de Nova Sintra, 5 de Janeiro de 2025 (Bravanews) - Um relatório de inspeção interna à Câmara Municipal da Brava (CMB), ao qual a Bravanews teve acesso, revela factos considerados graves e que vêm confirmar informações que este jornal tem vindo a divulgar há algum tempo. De acordo com o documento, o então Presidente da Câmara Municipal, Francisco Tavares, procedeu à retirada de diversos materiais e equipamentos pertencentes à edilidade, diretamente dos armazéns municipais, no período compreendido entre 1 e 23 de dezembro, após a eleição em que perdeu e antes da posse de novos órgãos eleitos.
Segundo o relatório, durante esse intervalo de tempo foram retirados dos armazéns da CMB vários bens de natureza diversa, alguns deles de valor significativo e de uso essencial para os serviços municipais. Entre os materiais e equipamentos listados constam caixas de equipamentos de brinquedos infláveis, duas betoneiras, lixadeiras elétricas, uma bicicleta e um cilindro manual de compactação de calçada, equipamentos normalmente utilizados em obras, manutenção de espaços públicos e atividades recreativas promovidas pela autarquia.
O documento é particularmente relevante por conter a assinatura do então responsável do armazém municipal, o que, segundo a inspeção, corrobora formalmente a saída desses bens nas datas indicadas. O relatório não esclarece, contudo, o destino final dos materiais nem se existiu despacho formal, deliberação camarária ou qualquer outro ato administrativo que legitimasse a retirada dos equipamentos por parte do ex-autarca.
Fontes ouvidas pela Bravanews referem que a inexistência, até ao momento, de registos claros sobre a devolução dos materiais ou sobre a sua afetação a obras ou atividades específicas levanta sérias dúvidas quanto à regularidade do procedimento. Alguns dos equipamentos mencionados são considerados essenciais para o funcionamento normal dos serviços municipais, o que torna ainda mais preocupante a sua retirada sem transparência conhecida.
O relatório de inspeção interna enquadra estes factos num conjunto mais amplo de observações sobre a gestão patrimonial da CMB, apontando fragilidades nos mecanismos de controlo, inventário e fiscalização dos bens municipais. A retirada de materiais dos armazéns, sem que fique devidamente documentado o seu uso, destino ou posterior reposição, é descrita como uma prática que expõe a autarquia a riscos patrimoniais e financeiros.
Solicitado pela Bravanews a reagir a estes factos apontados no relatório, o ex-Presidente Francisco Tavares disse que não reagiria a partes do relatório sem o conhecer por inteiro. “Me envie o relatório completo e assinado e terá todas as respostas da minha parte. Estou disposto a participar numa live com o autor do relatório para esclarecer qualquer assunto sobre minha gestao”, avançando ainda que “é ridículo estar a responder a insinuações e invenções que nem se sabe de quem partem.”
Entretanto, há expectativa de que o relatório de inspeção interna seja analisado pelas entidades competentes, podendo o caso vir a ter desenvolvimentos administrativos ou mesmo judiciais, caso se conclua que houve violação das normas legais e dos princípios de boa gestão dos bens públicos.
A Bravanews continuará a acompanhar este dossiê com atenção, mantendo os seus leitores informados sobre quaisquer novos esclarecimentos, reações oficiais ou decisões que venham a ser tomadas no âmbito deste processo que está a gerar forte debate e preocupação entre os bravenses.
















