Em conferência de imprensa, para balanço das jornadas parlamentares, o Líder Parlamentar do PAICV, Clóvis Silva sublinhou que o debate com o Chefe do Governo terá como foco a avaliação de compromissos assumidos desde 2016, destacando áreas estratégicas como saúde, emprego, transportes, descentralização e estatuto dos municípios.
“Estamos no final de uma legislatura e, dez anos depois, já deveríamos estar a colher frutos”, afirmou o líder parlamentar para quem a sessão será o momento para confrontar o Executivo com a realidade do país e exigir esclarecimentos e responsabilização política.
Outro destaque da sessão será a interpelação ao ministro da Saúde sobre a Política Nacional de Saúde, proposta igualmente pelo GPPAICV. Segundo Clóvis Silva, continuam por cumprir promessas como a construção de centros de saúde em todos os municípios.
O dirigente apontou igualmente problemas recorrentes no Hospital Universitário Agostinho Neto, onde se registam ruturas de stock associadas a falhas no transporte internacional. Referiu ainda reclamações de utentes que afirmam ter adquirido materiais, como seringas e vacinas, para garantir atendimento.
Clóvis Silva mencionou também dificuldades nos hospitais regionais do Fogo, de Santiago Norte e de São Vicente, bem como na unidade hospitalar da Boa Vista, cuja conclusão, recordou, continua por concretizar após duas legislaturas.
Os constrangimentos na saúde, acrescentou, estão ligados a problemas mais amplos na logística e nos transportes interilhas, com impacto no abastecimento de bens de primeira necessidade e episódios de escassez de gás butano em várias ilhas.
No domínio do emprego, o PAICV contesta os dados oficiais sobre a redução do desemprego, considerando que a diminuição está associada à emigração e ao aumento do número de inativos, e não a políticas eficazes de criação de emprego. Entre os jovens, a taxa de desemprego mantém-se acima dos 20%, com uma parte significativa sem qualquer tipo de formação.
Clóvis Silva garantiu que o GPPAICV exigirá responsabilização política ao Governo e advertiu que o debate será marcado por confrontos de ideias e divergência de posições, refletindo as preocupações dos cabo-verdianos após uma década de promessas incumpridas.