Antigo edil acusado de manter controlo e monetizar página oficial do Município
Cidade de Nova Sintra, 26 de Maio de 2026 (Bravanews) - Surgiram acusações públicas visando o antigo presidente da Câmara Municipal da Brava, Francisco Tavares. Sectores próximos ao PAICV (Partido Africano da Independencia de Cabo Verde) acusam publicamente o ex-autarca de continuar a administrar, publicar conteúdos, aprovar publicações e partilhar vídeos na página oficial da autarquia na rede social Facebook, correspondente ao período de Governação entre 2012 e 2024. De acordo com as denúncias apresentadas por estes sectores, por se tratar de um canal de comunicação estritamente institucional e criado no exercício de funções públicas, a referida página deveria ter sido formalmente integrada no processo de transição de pastas e entregue à nova equipa de gestão camarária ou, em alternativa, ser encerrada em definitivo para evitar a fusão de canais informativos.
A contestação ganhou maior visibilidade devido ao impacto digital da plataforma em questão. Com uma comunidade consolidada que atesta perto de 10.000 seguidores — um número expressivo para a realidade demográfica e regional da ilha da Brava —, a página continua activa sob a antiga denominação, Camara Municipal da Brava (2012-2024). Fontes ligadas aos contestatários classificam a permanência do antigo edil na gestão da conta como uma situação anómala e que carece de fiscalização urgente por parte das instâncias competentes, argumentando que a manutenção de canais oficiais por antigos titulares de cargos públicos pode induzir os cidadãos em erro no que toca à actualidade comunicacional do município.
A controvérsia adensa-se ainda mais com a revelação de dados financeiros estimados e associados à conta. De acordo com métricas e dados aproximados de monetização fornecidos pelas ferramentas da própria rede social de referência, a página estará atualmente a gerar uma receita mensal, decorrente da contribuicoes de membros, visualização de vídeos e conteúdos multimédia partilhados. Este fator financeiro introduziu novos contornos ao debate local, com os críticos a questionarem a legitimidade da retenção e do usufruto de dividendos gerados por uma plataforma digital que foi construída e promovida com base no património imaterial e na actividade pública da Câmara Municipal da Brava.
A opinião pública local, bem como os diferentes quadrantes políticos da ilha, aguardam agora por eventuais auditorias técnicas ou pela tomada de medidas administrativas que possam regularizar a propriedade jurídica do canal, definir o destino dos fundos gerados e assegurar a devida separação entre a comunicação institucional e as plataformas geridas a título individual.
MS
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