Cabo Verde aparece no Top 10 de lista divulgada por Trump sobre imigrantes que recebem assistência social nos EUA
Cabo Verde surge numa lista divulgada por Donald Trump que aponta que 63,1% dos lares de imigrantes cabo-verdianos nos EUA recebem assistência social. Especialistas alertam que os dados carecem de contexto e não refletem a contribuição económica e social da diáspora.
Uma lista recentemente compartilhada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, voltou a colocar a imigração no centro do debate público. O documento reúne mais de 120 países e indica a percentagem de lares de imigrantes que recebem algum tipo de assistência social nos Estados Unidos. Cabo Verde surge em destaque, ocupando a 10ª posição da lista, com 63,1% dos lares de imigrantes a receber apoio governamental.
A divulgação da lista, amplamente partilhada nas redes sociais, não foi acompanhada de explicações detalhadas sobre a metodologia utilizada, o que gerou críticas e alertas de especialistas. Analistas sublinham que os dados, apresentados sem contexto, podem levar a interpretações distorcidas da realidade das comunidades imigrantes.
No caso específico de Cabo Verde, líderes comunitários e estudiosos da diáspora destacam que a presença cabo-verdiana nos Estados Unidos remonta a mais de um século. A comunidade é historicamente ligada ao trabalho portuário, industrial e, mais recentemente, aos setores de serviços, saúde e educação. Muitos dos lares que recorrem à assistência social incluem idosos, famílias trabalhadoras de baixos rendimentos, crianças e imigrantes recém-chegados, utilizando os programas como apoio temporário e complementar.
Além disso, a diáspora cabo-verdiana é reconhecida pela sua forte contribuição económica, tanto nos Estados Unidos — através do pagamento de impostos, empreendedorismo e força de trabalho — como em Cabo Verde, por meio de remessas que continuam a desempenhar um papel essencial na economia nacional.
A inclusão de Cabo Verde no Top 10 da lista, embora chamativa, ocorre num momento político sensível, em que dados estatísticos são frequentemente usados para sustentar narrativas mais amplas sobre imigração. Para representantes da comunidade, o maior risco é que números sem enquadramento reforcem estigmas e ignorem a história de integração, trabalho e contribuição da diáspora cabo-verdiana nos Estados Unidos.
















