A voz de um povo: A reflexão profunda de Esmeraldo Duarte

Recebemos diretamente das mãos de Esmeraldo Duarte, um filho da Brava que hoje faz de São Vicente o seu porto de abrigo, um poema que é mais do que uma simples composição literária; é um manifesto de consciência e um grito de esperança para a nação cabo-verdiana.

Apr 11, 2026 - 10:01
Apr 11, 2026 - 10:07
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A voz de um povo: A reflexão profunda de Esmeraldo Duarte

Intitulado por Duarte como uma reflexão sobre a "Dignidade de um Povo", o texto mergulha nas raízes profundas da nossa história — desde a dureza da escravidão e das secas até aos desafios contemporâneos do século XXI. Com uma escrita honesta e incisiva, o autor questiona as "máscaras" que usamos para esconder as dificuldades e convoca cada cidadão, e especialmente os seus líderes, a abraçar a honestidade e a determinação como pilares para o futuro.

Esmeraldo, inspirado pela sua vivência na diáspora e pelo regresso às origens, oferece-nos versos que não fogem da dor, mas que buscam nela a força para a mudança. É um convite à reflexão sobre o que significa, verdadeiramente, ser patriota e viver com dignidade.

Leia abaixo, na íntegra, a obra de Esmeraldo Duarte:

O Peso da Herança e o Sol da Dignidade

Tudo dia ntá pensa na dignidade de nha povo,
Na cada palmanhanzinha, um desejo novo.
Quando o sol sorri com calor e morabeza tropical,
Trás de montanhas desnudas, num cenário ancestral.

Guardam segredos de histórias de um tempo concreto,
Dos nossos antepassados, sob um céu inquieto.
Séculos de atrocidades, maltratos e escravidão,
Seca, marizia e o martírio de uma nação.

Testemunhas de chuva, sol, mar e vento,
De um destino traçado em constante sofrimento.
Guardado no código de um silêncio profundo,
Assinado pela lei que governa este mundo.

Contra a vontade, cruzamos o Atlântico sem fim,
Para horizontes desconhecidos, um destino ruim.
Comandados por caras de humanos, mas sem piedade,
Numa viagem despida de qualquer liberdade.

Mas ainda no século vinte e dois, a tristeza persiste,
Disfarçada de morabeza, onde o cansaço resiste.
Encobrimos a pobreza com pinturas de Carnaval,
Em ritmos de samba, escondendo o nosso mal.

Atrás de máscaras, ocultamos o peso da dor,
Aceitando o desleixo, vivendo sem o devido valor.
Má nutrição, educação pobre, vida sem plano,
Vivendo o dia a dia, aceitando o engano.

Pergunto: quando é que no berço vamos fincar o pé?
Manter a dignidade e escutar o que a alma quer.
Assumir as rédeas desta nação e as suas prioridades,
Debaixo da bandeira da paz e das oportunidades.

Respeito para todos, exemplo no palco mundial,
Pois a inteligência não é tamanho, nem algo material.
Não está na metragem da terra ou nos hectares de chão,
Mas na determinação e na honestidade de cada cidadão.

A capacidade de dirigir, de comandar e de fluir,
Está na lei firme para todos, no direito de existir.
Líder é quem entende a fundação de cada causa,
Que dirige e ajuda, que age e nunca faz pausa.

A virtude da sobrevivência mora na adaptação,
Na pesquisa, na lógica e em cada nova experimentação.
Entender os negócios, retificar perdas e o lucro inverter,
Saber que sem derrota não há triunfo a se colher.

É melhor morrer sob o sol, com a alma em claridade,
Do que viver na sombra fria da covardia e da impunidade.
Pois o patriotismo exige caráter, respeito e determinação,
Honestidade e inteligência para guiar o coração.

Autor Esmeraldo Duarte


Autor  Esmeraldo Duarte