De passagem pelo arquipélago, navio da Armada Espanhola não detectou atividades ilegais nas águas cabo-verdianas

O navio Furor já esteve em Cabo Verde por três vezes, tendo estado no arquipélago em 2022, 2024 e agora em 2026

May 25, 2026 - 13:18
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De passagem pelo arquipélago, navio da Armada Espanhola não detectou atividades ilegais nas águas cabo-verdianas

O navio Furor, da Armada Espanhola, encontra-se atracado no Porto da Praia desde o dia 18 de maio no quadro das Presenças Marítimas Coordenadas da União Europeia na costa da África Ocidental e no Golfo da Guiné. Segundo o comandante do navio, Ángel García Estrada, durante a estadia nas águas cabo-verdianas, não foram detetadas atividades ilegais, mas salientou que as condições de mar agitado reduziram a presença de embarcações.

Trata-se de uma missão de quatro meses centrada no reforço da segurança marítima na região e que chega agora ao fim, tendo em conta que Cabo Verde é a última paragem antes do regresso à Espanha.

Segundo o comandante do navio, o capitão-de-corveta Ángel García Estrada, a missão atual já passou por oito países, nomeadamente Mauritânia, Senegal, Gana, Nigéria, Costa do Marfim e Camarões, antes de terminar a sua operação em Cabo Verde, de onde regressa a Espanha.

Durante a estadia nas águas cabo-verdianas, o comandante salientou que não foram detetadas atividades suspeitas. “Não detectamos nenhuma atividade ilegal. Apenas observámos navios grandes de transporte de mercadorias e petróleo”, indicou.

Conforme explicou a mesma fonte, o principal objetivo da operação é apoiar os países costeiros no combate ao narcotráfico, à imigração irregular e à pesca ilegal, através da vigilância e da partilha de informação com os países da região.

“Se acontece alguma atividade ilegal, podemos detectar e reportar aos países costeiros. Não podemos agir em águas que não são espanholas. Podemos fornecer evidências desta atividade ilegal à Nigéria, aos Camarões ou a Cabo Verde, por exemplo, e os países podem agir em conformidade”, explicou o comandante.

Informações sobre VIH

O oficial destacou ainda a importância estratégica de Cabo Verde, sublinhando as boas relações com Espanha, mas salientou a necessidade de aprofundar a partilha de informações sobre as atividades que acontecem no mar.

Por outro lado, o comandante explicou que “para a Espanha é muito importante a colaboração com Cabo Verde, sobretudo na aŕea da pesca e da imigração ilegal”.

“Toda a imigração que parte do Senegal ou da Gâmbia vai a caminho das Ilhas Canárias. Somos capazes de monitorar o que acontece, para reduzir a imigração ilegal que vai pela costa ocidental de África até às Canárias”.

Em casos em que detectam um barco com migrantes, os militares espanhois avisam o país responsável da zona de salvamento marítimo, contudo quando “há um perigo real iminente, têm de intervir e acolher as pessoas que estão no mar”. “Sempre há a obrigação de salvaguardar a vida primeiro”, confirmou Ángel García Estrada.

No âmbito da missão, o Furor realizou na sexta-feira, dia 22, demonstrações operacionais com drones de fabrico espanhol, capazes de aumentar a capacidade de vigilância marítima. “Ao lançar o drone temos mais de 20 km de visibilidade”, explicou o capitão-de-corveta e acrescentou que estes equipamentos permitem facilitar a deteção de atividades ilegais no mar.

Os militares espanhois fizeram a demonstração deste drone para as forças de segurança cabo-verdianas nomeadamente a Polícia Judiciária (PJ), bem como para a Guarda Costeira.

Terceira visita a Cabo Verde

Durante uma visita guiada aos jornalistas, o comandante explicou que o Furor conta com cerca de 80 tripulantes, incluindo profissionais de saúde como médico, enfermeiro e psicólogo.

Entre a tripulação, entre 20% e 22% são mulheres, um valor acima da média da Armada Espanhola, que ronda os 15%.

O navio dispõe ainda de uma enfermaria com capacidade para quatro camas e sistemas médicos que permitem ligação direta a um hospital militar em Espanha, garantindo assistência em tempo real em situações de emergência.

Em termos operacionais, o comandante destacou a automação do navio, que permite ser operado por apenas três pessoas na ponte durante o dia, quando em condições normais seriam necessárias sete.

No plano de armamento, o Furor está equipado com três canhões, incluindo um de maior alcance localizado na proa, com capacidade de atingir até 10 quilómetros, e dois sistemas laterais na popa destinados à autodefesa.

Construído em 2019 pela empresa espanhola Navantia, o navio já atracou em Cabo Verde por três vezes, tendo estado no arquipélago em 2022, 2024 e agora em 2026.