Gambiano Gomes, do Desporto Brava, critica representação da Brava no Nacional de Futsal e fala em “vergonha”
Cidade de Nova Sintra, 5 de Setembro de 2026 (Bravanews) — A participação da Ilha Brava no Campeonato Nacional de Futsal está a gerar fortes críticas no seio de alguns sectores ligados ao desporto local. Gambiano Gomes, fundador da página Desporto Brava, insurgiu-se publicamente contra a forma como, segundo ele, a ilha está a ser representada na competição nacional, classificando a situação como uma “vergonha” e questionando o processo que conduziu à formação da equipa bravense.
Num texto publicado através da página dedicada à divulgação do desporto na ilha, Gambiano Gomes fez questão de esclarecer que as suas críticas não são dirigidas aos atletas que aceitaram representar a Brava. Para o fundador da Desporto Brava, o problema está na forma como todo o processo terá sido conduzido, desde a preparação até à constituição da equipa que viajou para participar na competição nacional.
“Não estamos contra os atletas. Estamos contra a forma como todo o processo foi conduzido”, afirmou, numa das passagens mais contundentes da sua intervenção. Na sua avaliação, a representação da Brava terá acontecido sem uma preparação que fosse visível para a comunidade desportiva, levantando dúvidas sobre a existência de treinos regulares, critérios de selecção e acompanhamento adequado antes da participação no Nacional.
Um dos aspetos que mais preocupa Gambiano Gomes é o reduzido número de jogadores que, segundo a sua publicação, saiu da ilha para a competição. O responsável de Desporto Brava refere que apenas cinco jogadores terão seguido viagem, considerando que tal situação levanta sérias questões sobre a capacidade de organização da representação da ilha numa prova de dimensão nacional.
A crítica vai além do número de atletas. Gambiano Gomes questiona diretamente a existência e o funcionamento das estruturas responsáveis pelo desenvolvimento do futsal na Brava. “Onde está o Núcleo de Futsal?”, pergunta, procurando saber quem esteve efectivamente à frente da organização da seleção, quem acompanhou os treinos e quem assumiu a responsabilidade pela preparação da equipa antes da competição.
Para o fundador da Desporto Brava, estas questões não devem ser encaradas como um simples ataque a pessoas ou instituições. Na sua perspetiva, trata-se de discutir a forma como o desporto bravense é organizado e representado fora da ilha. Uma participação num campeonato nacional, defende, deveria ser antecedida por um processo estruturado, com treinos, seleção de atletas, definição de uma equipa técnica e acompanhamento adequado.
A Câmara Municipal da Brava também surge no centro da discussão. Gambiano Gomes reconhece que a autarquia pode e deve desempenhar um papel importante no apoio ao desporto, mas defende que o financiamento público deve ser acompanhado por mecanismos de fiscalização e exigência. Na sua opinião, não basta disponibilizar recursos para uma representação desportiva; é necessário assegurar que existem condições mínimas de organização para que esses recursos sejam utilizados de forma eficaz.
“A Câmara Municipal pode e deve apoiar o desporto, mas todo apoio deve ser acompanhado e fiscalizado”, defende. A afirmação coloca sobre a mesa uma discussão mais ampla sobre a relação entre financiamento público e responsabilidade das entidades desportivas. Para Gomes, quando existem recursos públicos envolvidos, deve haver também transparência sobre a forma como são utilizados, quais os objetivos definidos e quem é responsável pela execução das atividades.
A insatisfação ganha ainda maior dimensão quando comparada com o desempenho recente da Brava no futsal. Gambiano Gomes recorda que a seleção da ilha conseguiu chegar às meias-finais da última edição do Inter-Ilhas de Futsal, resultado que, na sua leitura, demonstrou que a Brava possui atletas capazes de competir em bom nível quando existe preparação e organização.
É justamente essa comparação que leva o fundador da Desporto Brava a considerar a atual situação como um “enorme retrocesso”. Para ele, a questão não está simplesmente em ganhar ou perder uma competição. Os resultados fazem parte do desporto e nenhuma equipa pode ter a vitória garantida. O que considera preocupante é, antes de tudo, participar numa competição nacional sem que estejam reunidas as condições que permitam uma representação digna da ilha.
“Ganhar ou perder é desporto. Participar sem preparação e organização é outra coisa”, escreveu Gambiano Gomes. A frase resume o centro da sua crítica: a exigência de que a participação da Brava em competições nacionais seja encarada com maior seriedade e planeamento.
A polémica levanta igualmente questões sobre o futuro do futsal na ilha. A Brava possui jogadores e jovens com interesse pela modalidade, mas, segundo a crítica apresentada, será necessário criar estruturas capazes de transformar esse potencial em resultados consistentes. Isso passa por competições locais regulares, treinos contínuos, identificação de talentos, formação de treinadores, organização das seleções e definição antecipada de planos de preparação para as provas nacionais.
No final da sua intervenção, Gambiano Gomes reforça que a sua posição nasce precisamente da preocupação com o futuro da modalidade. “A Brava tem atletas, talento e paixão pelo futsal. O que precisamos é de responsabilidade, planejamento e respeito por quem representa a nossa ilha”, afirmou. Para ele, quem acompanha e gosta do futsal bravense não deve permanecer indiferente perante aquilo que considera falhas na organização da representação da ilha.
As declarações do fundador da Desporto Brava deverão alimentar o debate entre atletas, dirigentes, responsáveis pelo desporto e autoridades locais. A discussão poderá também servir para colocar em cima da mesa a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre o modelo de preparação das seleções da Brava e sobre o papel de cada entidade envolvida.
Por enquanto, a principal mensagem deixada por Gambiano Gomes é um apelo à responsabilidade. Na sua perspetiva, representar a Brava numa competição nacional deve significar muito mais do que simplesmente marcar presença. Deve significar preparação, organização, compromisso e respeito pelos atletas que vestem as cores da ilha. “A Brava merece ser representada com respeito, preparação e dignidade”, conclui o fundador da Desporto Brava, numa intervenção que promete reacender a discussão sobre o presente e o futuro do futsal na ilha.
MS
























