Governo considera insuficiente capacidade do navio Djabraba e defende solução marítima à altura das necessidades da ilha
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Clóvis Silva, criticou a dimensão do investimento feito pelo anterior Governo nos transportes marítimos para a Brava, considerando que um navio com capacidade para 85 passageiros e 25 toneladas de carga não responde às necessidades de desenvolvimento da ilha. O governante defende uma solução de maior capacidade, capaz de garantir mobilidade regular e impulsionar a economia bravense.
O Governo de Cabo Verde considera insuficiente a capacidade do navio Djabraba para responder às necessidades de transporte marítimo e às ambições de desenvolvimento económico e social da ilha Brava.
A posição foi apresentada esta sexta-feira, 9 de outubro, pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Clóvis Silva, durante um debate na Assembleia Nacional, na cidade da Praia.
Ao responder às questões dos deputados, o governante criticou o investimento realizado pelo anterior executivo, argumentando que a embarcação adquirida, com capacidade para transportar 85 passageiros e 25 toneladas de carga, não representa uma solução adequada às necessidades de longo prazo da população bravense.
"Se queremos o desenvolvimento de uma ilha, investimos num navio com capacidade para garantir cabotagem de 25 toneladas. Não é este o sonho que temos para a Brava", declarou Clóvis Silva, citado pela Inforpress.
Para o ministro, a discussão sobre os transportes marítimos não deve limitar-se à entrada em funcionamento do navio adquirido pelo anterior Governo. O objetivo, defendeu, deve ser encontrar uma solução com maior capacidade de transporte e melhores condições operacionais.
A posição coloca novamente no centro do debate nacional um dos principais desafios enfrentados pela Brava: a dependência das ligações marítimas para o abastecimento de mercadorias, a circulação de passageiros e o acesso a serviços essenciais noutras ilhas.
Sem aeroporto operacional, a Brava depende do transporte marítimo para manter a sua ligação regular com o Fogo e com o restante arquipélago.
As limitações deste serviço têm consequências diretas para os residentes, comerciantes, produtores agrícolas, pescadores e operadores turísticos.
A questão dos transportes marítimos tem sido uma das principais preocupações da população bravense.
Em 2025, a ilha enfrentou dificuldades significativas no abastecimento de produtos alimentares, medicamentos, materiais de construção e outros bens essenciais, devido à irregularidade das ligações marítimas.
Já em julho de 2026, novas interrupções provocadas por avarias de embarcações deixaram passageiros retidos e comerciantes confrontados com dificuldades no fornecimento de mercadorias.
Na altura, residentes denunciaram prejuízos económicos, perda de oportunidades profissionais e incerteza quanto às datas das viagens.
A situação evidencia que a conectividade marítima da Brava não constitui apenas uma questão de transporte, mas também um fator determinante para a estabilidade económica e a qualidade de vida da população.
Em agosto deste ano, o ministro do Mar, João do Carmo, anunciou que o navio destinado à ligação Brava–Fogo deveria iniciar operações após a conclusão dos procedimentos técnicos e administrativos exigidos pelo Instituto Marítimo e Portuário.
Na ocasião, o governante explicou que a embarcação deveria assegurar cinco ligações semanais e permanecer durante a noite na Brava, permitindo responder a situações de emergência, incluindo a transferência de doentes.
O ministro reconheceu igualmente que o processo de aquisição tinha sido iniciado pelo anterior executivo, garantindo que o atual Governo assumiria os compromissos existentes.
As declarações agora feitas por Clóvis Silva acrescentam uma nova dimensão ao debate, ao questionarem não apenas a operacionalização da embarcação, mas também a sua capacidade para acompanhar o crescimento económico da ilha.
Para a Brava, a existência de um serviço marítimo previsível e com capacidade suficiente é fundamental para reduzir os constrangimentos que afetam a atividade comercial e o abastecimento.
Uma ligação mais eficiente poderá também facilitar o escoamento da produção agrícola e pesqueira, melhorar a circulação de materiais de construção e criar condições mais favoráveis ao investimento e ao turismo.
A regularidade das viagens é particularmente importante para os bravenses residentes noutras ilhas e para a diáspora, que dependem das ligações marítimas para visitar familiares e manter contacto com a ilha de origem.
Apesar das críticas à capacidade do Djabraba, as declarações do ministro não foram acompanhadas, segundo a informação divulgada, de um anúncio concreto sobre a aquisição de outra embarcação, financiamento adicional ou calendário para uma solução de maior dimensão.
Assim, permanece por esclarecer como o Governo pretende transformar a posição apresentada no Parlamento em medidas concretas para melhorar os transportes marítimos da ilha.
Durante o mesmo debate parlamentar, Clóvis Silva manifestou preocupação com o aumento dos preços do transporte marítimo de mercadorias, particularmente nas ilhas do Sal e da Boa Vista.
O ministro defendeu o reforço da regulação do setor, a promoção da concorrência e a diversificação da oferta, com o objetivo de proteger os consumidores e melhorar as condições de funcionamento do mercado.
Para a Brava, onde o transporte marítimo constitui uma infraestrutura essencial à vida económica e social, o debate volta a colocar uma questão central: garantir não apenas a existência de um navio, mas um serviço regular, seguro e com capacidade para responder às necessidades presentes e futuras da ilha.
Com informações da Inforpress.






















