José Maria Neves desafia novo Governo a seguir exemplo dos Tubarões Azuis e apela à união nacional
O Chefe de Estado usou como exemplo inspirador a histórica qualificação de Cabo Verde para o Mundial de Futebol para lançar aos novos governantes o desafio de alcançar novos patamares de desenvolvimento económico e social.
O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu esta sexta-feira, dia 19, que a histórica qualificação de Cabo Verde para o Mundial de Futebol deve servir de inspiração para o país alcançar novos patamares de desenvolvimento económico e social. O chefe de Estado falava durante a cerimónia de Tomada de Posse do XI Governo da República liderado por Francisco Carvalho.
No discurso de empossamento, José Maria Neves considerou que o desempenho dos Tubarões Azuis na estreia no Mundial 2026 ultrapassa a dimensão desportiva e representa a afirmação de Cabo Verde entre os melhores do mundo.
“Há momentos em que uma nação se redefine. A classificação da Seleção Nacional de Futebol para a Copa do Mundo é, com toda a certeza, um desses momentos. Para muitos, no momento da independência, este país era um país improvável. Cinquenta anos depois, estamos entre os melhores do mundo“, afirmou.
Conforme defendeu José Maria Neves, viu refletidos nos jogadores e equipa técnica “os valores que moldam o povo cabo-verdiano, como a resiliência perante as adversidades, a coragem perante os desafios, a determinação de nunca desistir e a serenidade e a sabedoria de fazer bem o que tem de ser feito em cada momento”.
O Chefe de Estado defendeu que o país deve aproveitar este momento para transformar prestígio internacional e “extraordinário capital simbólico em ganhos concretos para o desenvolvimento nacional”.
O desafio que se coloca agora é o de transformar este extraordinário capital simbólico em ganhos concretos para o desenvolvimento nacional” e “converter prestígio em desenvolvimento, reconhecimento em oportunidades e talento em prosperidade”, declarou.
“Se fomos capazes de chegar a este patamar do futebol mundial, por que não aspirar à excelência na educação, na ciência, na tecnologia, na economia azul, na cultura, na administração pública, na inovação e no empreendedorismo?”, desafiou o PR e apelou ainda à mobilização de toda a sociedade cabo-verdiana, incluindo a diáspora, para enfrentar os desafios do país.
“O futuro de Cabo Verde depende cada vez mais da nossa capacidade de unir talentos, criar oportunidades e mobilizar todas as forças da nação em torno de objetivos comuns. Este é tempo de união”, afirmou, defendendo esta mesma união de esforços entre os cidadãos, as empresas, as instituições públicas e as comunidades emigradas.
Neste sentido, o Presidente da República alertou também para a necessidade de reduzir a polarização política e reforçar o diálogo entre os diferentes atores nacionais.
“O pluralismo inerente à democracia representativa deve ser fonte de entendimentos e de consensos e não canal de fragmentação e polarização”, sublinhou e acrescentou que “a hiperpolitização do espaço público deve dar lugar ao diálogo, à negociação, à busca conjunta de soluções para os problemas das pessoas com os olhos postos na dignidade humana”.
José Maria salientou ainda que “as lideranças de que o país necessita neste momento devem ser serenas, confiantes, mobilizadoras e agregadoras, bem como capazes de transformar divergências em convergências, desafios em oportunidades e esperanças em realizações concretas”.
“Num mundo marcado por profundas incertezas, tensões geopolíticas, conflitos armados, desaceleração económica, alterações climáticas, de pressões migratórias e rápidas transformações tecnológicas, Cabo Verde enfrenta desafios particularmente exigentes”, reconheceu o PR, contudo lembrou que “nunca houve tantas oportunidades ao nosso alcance”.
Referindo-se às eleições legislativas, José Maria Neves felicitou Francisco Carvalho pela vitória eleitoral, mas manifestou preocupação com a elevada taxa de abstenção registada no escrutínio.
“Não podemos ignorar a elevada taxa de abstenção registada nestas eleições. Trata-se de um sinal que merece reflexão profunda por parte de todos os atores políticos e institucionais”, advertiu e defendeu que é preciso “compreender as razões deste afastamento de uma parte significativa do eleitorado e encontrar formas de reforçar a participação cívica e política dos cidadãos”.
Quanto ao novo executivo, o PR deixou pistas sobre os principais desafios a ser enfrentados nos próximos anos, entre os quais a melhoria da conectividade entre as ilhas, a redução da pobreza e das desigualdades sociais e regionais, a criação de empregos, o reforço da segurança, a transição energética, o acesso à água, bem como o fortalecimento da educação, da saúde e da administração pública, consolidar a justiça e a segurança, reforçar a liberdade de imprensa e modernizar a administração pública, para que esta seja mais eficiente, mais próxima dos cidadãos e mais orientada para resultados.
Do lado da “oposição espera-se igualmente uma atitude responsável, fiscalizadora e construtiva, em conformidade com a vontade expressa pelos eleitores”, lembrou José Maria e deixou a recomendação para “que sejam rapidamente encontrados os consensos necessários para a renovação e instalação dos órgãos externos à Assembleia Nacional, que há muito aguardam por uma solução e sobre os grandes desígnios nacionais”, com “toda a disponibilidade do Presidente da República para colaborar e apoiar institucionalmente”.
Na conclusão do discurso, José Maria Neves afirmou que os cabo-verdianos esperam resultados do novo Governo e deixou uma mensagem de confiança para o futuro.
“Os cabo-verdianos esperam resultados. Esperam integridade. Esperam visão. E esperam, acima de tudo, que a política continue a ser um instrumento ao serviço das pessoas e do bem comum (…) Tal como os nossos Tubarões Azuis entraram em campo sem receio dos prognósticos, também Cabo Verde deve enfrentar o futuro com confiança nas suas capacidades (…)”, concluiu.
O Presidente da República empossou os 18 membros do novo executivo esta sexta-feira, dia 19, numa cerimónia que decorreu no Jardim do Palácio Presidencial.
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