Modelos tradicionais de angariação de fundos em Bailes estão comprovadamente ultrapassados

Cidade de Pawtucket, 30 de Agosto de 2025 (Bravanews) - Na comunidade bravense nos Estados Unidos da America, cresce o debate sobre a eficácia e a pertinência das actividades tradicionais de angariação de fundos, sobretudo aquelas centradas em bailes e eventos fechados. Apesar de serem parte da cultura comunitária durante décadas, muitos residentes e observadores consideram que este modelo já se encontra ultrapassado, sobretudo num contexto em que mais de 80% das receitas acabam destinadas ao pagamento de custos, restando pouco para os objetivos sociais a que se propõem.

Aug 30, 2025 - 16:08
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Modelos tradicionais de angariação de fundos em Bailes estão comprovadamente ultrapassados

Segundo críticos, o prazo de validade destas práticas “já passou há mais de dez anos”. Ainda assim, vários grupos sociais e associações continuam a insistir na realização de festas em salões com capacidade reduzida — muitas vezes inferiores a 300 pessoas — o que limita as receitas, enquanto os custos com aluguer de espaço, sonorização, artistas, logística e alimentação consomem quase toda a verba angariada.

As actividades de angariação de fundos sempre desempenharam um papel importante na vida comunitária bravense, seja para apoiar projetos sociais, ajudar famílias em dificuldades ou financiar iniciativas culturais. Porém, nos dias de hoje, muitos defendem que o modelo perdeu eficácia.


“É um contrassenso organizar um evento onde 80% do dinheiro arrecadado vai para pagar despesas. No fim, sobra muito pouco para a verdadeira causa”, lamenta um emigrante.

Com a evolução tecnológica e o impacto crescente das redes sociais e da internet, surgem novas formas de mobilização de recursos: campanhas digitais, plataformas de crowdfunding e mesmo o uso de inteligência artificial para criar conteúdos de divulgação. Estes meios permitem alcançar públicos maiores, dentro e fora da diáspora, com custos operacionais muito mais baixos.

Apesar das críticas, a prática mantém-se. Grupos locais e associações culturais defendem que estes eventos não têm apenas a função de angariar fundos, mas também de manter vivas tradições de convívio e música. Bailes e festas representam momentos de encontro da comunidade, fortalecendo laços sociais.


Contudo, até os defensores reconhecem que, financeiramente, os resultados são limitados. “O convívio é importante, mas não podemos fechar os olhos: se é para angariar fundos, temos de repensar o método”, admite um dirigente de uma associação.

Na era da internet e da globalização, a diáspora bravense — espalhada sobretudo pelos Estados Unidos e Europa — representa uma fonte significativa de apoio financeiro. Plataformas online permitem canalizar esse contributo de forma mais direta e transparente. Além disso, campanhas digitais eliminam custos elevados e podem gerar resultados mais expressivos.

Especialistas em associativismo defendem que a ilha Brava precisa de adoptar um modelo híbrido: preservar as tradições culturais de bailes e festas, mas separá-las da lógica de angariação de fundos. Assim, as actividades recreativas manteriam o seu espaço, enquanto os esforços de arrecadação seriam direcionados para meios mais modernos, eficazes e sustentáveis.

A discussão em torno da angariação de fundos na Brava reflete um dilema maior: como equilibrar tradição e inovação. Embora os bailes tenham marcado gerações e façam parte da identidade cultural, a realidade económica mostra que o modelo já não cumpre o seu propósito principal.


Num tempo em que redes sociais e ferramentas digitais permitem mobilizar centenas ou milhares de apoiantes em qualquer parte do mundo, o desafio agora é saber se a comunidade bravense está pronta para deixar para trás métodos ultrapassados e abraçar novas estratégias de solidariedade.

Moises Santiago