O Presidente da Cooperativa refuta as falas do Pr CMB e rejeita as acusações de estar a servir da organização em benefício pessoal.
Cidade de Nova Sintra, 30 de Setembro de 2026 (Bravanews) - O Presidente da Cooperativa de Pesca de Lomba Tantum veio a público reagir às acusações feitas pelo Presidente da Câmara Municipal da Brava, segundo as quais estaria a assumir ou a tentar controlar a gestão da cooperativa em benefício próprio. Em declaração dirigida à BravaNews, o responsável rejeita essa interpretação e afirma que todo o seu percurso de mais de sete anos à frente da organização tem sido marcado pela defesa dos pescadores, da comunidade e do desenvolvimento das actividades ligadas ao setor das pescas.
Segundo o mesmo, todas as actividades desenvolvidas pela organização, bem como as iniciativas e reivindicações feitas em defesa dos pescadores de Lomba Tantum, estão documentadas através das publicações realizadas nas redes sociais da própria cooperativa. Diz que, enquanto responsável pela organização local dos pescadores, tem procurado dar conhecimento público às acções desenvolvidas, aos problemas existentes na comunidade e às reivindicações apresentadas junto das autoridades.
“Enquanto líder de pesca ali em Tantum, na organização da cooperativa, toda actividade que nós estamos fazendo na comunidade, toda defesa a favor dos pescadores, a favor da comunidade, todos os benefícios que nós temos trazido para a comunidade estão nas redes sociais”, afirmou.
Uma parte significativa da actividade está relacionada com o teleférico de Lomba Tantum, infraestrutura que, segundo o dirigente, sempre mereceu a sua atenção enquanto representante dos pescadores da zona.
O responsavel afirma que, muito antes de determinadas iniciativas políticas relacionadas com a infraestrutura, já vinha manifestando preocupação com o funcionamento e o futuro do teleférico, procurando mobilizar diferentes entidades para acompanhar as necessidades da comunidade.
Segundo relata, terá procurado levar essas preocupações ao Presidente da Câmara Municipal da Brava, ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República, defendendo que a infraestrutura e as condições de vida dos pescadores de Lomba Tantum deveriam merecer atenção das autoridades.
O dirigente lamenta, entretanto, que nem sempre tenha havido o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela cooperativa e afirma possuir documentação, publicações e outros elementos que, na sua perspetiva, demonstram as iniciativas realizadas ao longo dos anos.
“Temos documentos que comprovem das vezes que eu convidei o Senhor Presidente da Câmara da Brava, para visitar a localidade, ouvir os operadores de pesca, e resolver os principais problemas”, afirmou, acrescentando que também terá levado preocupações a outras autoridades nacionais.
Outro ponto destacado na declaração diz respeito ao combate à pesca clandestina.
O presidente da cooperativa afirma que chegou a passar noites em operações de acompanhamento e fiscalização de embarcações suspeitas, em articulação com as autoridades competentes.
Afirma ainda que existem elementos que, na sua visão, demonstram o envolvimento da cooperativa e dos pescadores locais na defesa dos recursos marinhos e no combate a práticas que consideram prejudiciais à actividade pesqueira.
O responsável diz também ter levantado preocupações relacionadas com o funcionamento da Guarda Costeira, o radar de controlo marítimo, a fiscalização das águas e outros problemas que afectam directamente os pescadores.
Para o presidente da cooperativa, essas ações demonstram que a organização não se limita a reivindicar benefícios materiais, mas procura igualmente contribuir para a proteção da actividade pesqueira e para a resolução dos problemas da comunidade.
Segundo o responsável, houve ocasiões que levou outras preocupações apresentadas pelas comunidades piscatórias, entre elas a questão do lixo, as condições de trabalho e a necessidade de criação de novas casas para pescadores.
Segundo afirma, algumas dessas preocupações foram apresentadas junto do Ministério do Mar e de outras instituições públicas.
O Presidente da cooperativa sustenta que existem vários elementos que podem comprovar a intervenção da organização junto das autoridades e afirma que, durante o período em que está à frente da cooperativa, tem dedicado tempo e recursos pessoais ao trabalho comunitário.
“Minha vida familiar, meu trabalho têm sido prejudicados por interesses da comunidade”, declarou, numa referência ao caráter voluntário da função que desempenha.
A declaração ganha um tom mais crítico quando o presidente da cooperativa aborda diretamente a actuação do Presidente da Câmara Municipal da Brava.
O dirigente afirma que, durante os períodos eleitorais, teria havido tentativas de interferência na organização local dos pescadores. Segundo a sua versão, determinados comportamentos políticos teriam procurado enfraquecer a liderança existente dentro da cooperativa.
Sem apresentar no momento da declaração uma acusação formal ou decisão judicial que confirme essas alegações, o responsável sustenta que o seu trabalho à frente da cooperativa é reconhecido pelos próprios membros e por pessoas da comunidade.
Afirma ainda que o próprio Presidente da Câmara conhece o seu potencial e a sua capacidade de mobilização, apesar de não possuir formação específica na área das pescas.
“Sou um jovem dinâmico, um jovem determinado”, declarou, acrescentando que considera possuir experiência e capacidade para contribuir para o desenvolvimento pesqueiro de Lomba Tantum.
O dirigente também apresentou uma série de reivindicações relacionadas com apoios que, segundo afirma, foram solicitados ou prometidos à cooperativa.
Entre os exemplos citados estão bancos destinados à comunidade, equipamentos e outros apoios considerados necessários para melhorar as condições de funcionamento da organização.
Na sua declaração, o Presidente da cooperativa menciona ainda duas máquinas que, segundo afirma, teriam sido adquiridas ou disponibilizadas para apoiar a unidade de produção de gelo da cooperativa.
De acordo com o responsável, essas máquinas estariam armazenadas nas instalações da Câmara Municipal desde fevereiro, sem que, até ao momento, tivessem sido entregues à cooperativa para utilização.
O dirigente questiona publicamente a razão pela qual esses equipamentos ainda não teriam sido colocados à disposição da organização e afirma que pretende esclarecimentos tanto do Presidente da Câmara como do vereador responsável pela área das pescas.
O presidente da cooperativa também contesta a ideia de que a sua atuação esteja relacionada com uma estratégia pessoal de poder.
Segundo afirma, não possui uma estrutura política ou institucional semelhante à da Câmara Municipal e sustenta que o trabalho desenvolvido pela cooperativa é feito com recursos limitados e através do esforço dos próprios membros.
Para o responsável, a cooperativa deveria ser encarada pelas autoridades como uma organização local parceira na procura de soluções para os problemas dos pescadores e não como uma estrutura concorrente ou politicamente adversária.
“Tenho uma equipa que tem interesse em cooperar com a organização local para o bem da comunidade”, afirmou, numa crítica dirigida à forma como considera que a relação institucional tem sido conduzida.
O presidente da cooperativa refere ainda ter tomado conhecimento de algumas publicações e comentários relacionados com o seu trabalho enquanto dirigente.
Segundo afirma, essas publicações levantaram dúvidas sobre as suas reais intenções e sobre se estaria a utilizar a liderança da cooperativa para interesses pessoais ou políticos.
Em resposta, garante que a sua actuação tem como objetivo principal a defesa da comunidade e dos pescadores.
O dirigente reconhece que o trabalho comunitário também pode proporcionar visibilidade política, mas afirma que não entrou na liderança da cooperativa com o objetivo de obter benefícios pessoais.
“Eu fico focado nesse trabalho porque sou voluntário. Não quero ganhar nada”, afirmou, acrescentando que a sua prioridade é continuar a defender os interesses da comunidade.
Na parte final da declaração, o responsável da cooperativa volta a abordar directamente a relação com o Presidente da Câmara Municipal da Brava, afirmando que não teria sido devidamente envolvido em algumas decisões ou iniciativas relacionadas com o teleférico de Lomba Tantum.
Segundo a sua versão, apesar de exercer a função de presidente da cooperativa de pesca da zona, não teria recebido informações ou explicações suficientes sobre determinadas decisões relacionadas com a infraestrutura.
O dirigente também relata um episódio que considera revelador da falta de respeito que, segundo ele, teria existido na relação entre as partes. Faz referência a uma alegada entrada do Presidente da Câmara na sua residência e ter pegado as chaves da cooperativa para entregar aos jovens que tinham uma actividade, sem a sua anuência.
Apesar do tom crítico da declaração, o presidente da Cooperativa de Pesca de Lomba Tantum afirma estar tranquilo em relação à sua atuação.
Sustenta que o seu percurso pode ser avaliado através das actividades realizadas pela cooperativa, das reivindicações apresentadas às autoridades e das iniciativas desenvolvidas em defesa dos pescadores.
Para o dirigente, o debate deve estar centrado nos problemas concretos enfrentados pela comunidade piscatória, incluindo as condições de trabalho, fiscalização marítima, habitação dos pescadores, funcionamento do teleférico, equipamentos e apoio às atividades económicas.
A reação surge na sequência das acusações do Presidente da Câmara Municipal da Brava, que terá questionado a actuação do dirigente da cooperativa e alegado que este estaria a assumir uma gestão da organização em benefício próprio.
O presidente da cooperativa rejeita essa interpretação e contrapõe que o seu trabalho tem sido essencialmente voluntário e comunitário.
A BravaNews considera importante que, perante as acusações e contra-acusações apresentadas, sejam igualmente ouvidas as partes envolvidas e, sobretudo, sejam conhecidos os documentos e decisões oficiais relacionados com os apoios à cooperativa, a gestão do teleférico, os equipamentos mencionados e as restantes questões levantadas.
MS






















