População de Nossa Senhora do Monte sente-se abandonada pelo poder municipal e nacional
Cidade de Nova Sintra, 2 de Julho de 2026 (Bravanews) - O sentimento de abandono e a profunda frustração passaram a marcar o quotidiano dos habitantes da freguesia de Nossa Senhora do Monte, que enfrentam diariamente o peso do esquecimento por parte das autoridades locais e centrais. A falta de atenção institucional e o atraso sistemático na resolução de problemas estruturais profundos fazem com que o desânimo e a revolta acompanhem os dias de uma população que se sente deixada para trás no mapa do desenvolvimento do país. Entre as principais queixas dos residentes destaca-se o incumprimento de promessas antigas que já deveriam ter saído do papel, com especial relevância para a abertura da Delegação Municipal de Nossa Senhora do Monte. Esta infraestrutura, planeada para descentralizar os serviços públicos e facilitar a vida burocrática dos cidadãos, continua de portas fechadas, obrigando os moradores a deslocações longas e dispendiosas para tratar de assuntos simples do dia a dia.
A par do impasse político e administrativo, as condições físicas da freguesia degradam-se a olhos vistos, sendo a deficiente rede viária um dos problemas mais visíveis e perigosos. As estradas principais que ligam a localidade ao resto do município estão repletas de buracos, falta de sinalização e desgaste acumulado de anos sem manutenção. O cenário torna-se ainda mais dramático no interior da freguesia, onde a total falta de acesso de carro a algumas localidades, como Clara Goncalves, Pedra Molar, isola famílias inteiras. Esta situação impede a circulação normal de viaturas particulares e gera um clima de constante insegurança, uma vez que os veículos de emergência, como ambulâncias ou carro de bombeiro, ficam impossibilitados de prestar socorro imediato em caso de necessidade extrema.
A perda de serviços básicos essenciais tem acentuado este isolamento social e geográfico. Atualmente, a população de Nossa Senhora do Monte não dispõe de um serviço de correios local, o que obriga os habitantes, na sua maioria idosos e com dificuldades de mobilidade, a depender de terceiros ou a deslocar-se a Cidade de Nova Sintra apenas para receber correspondência, encomendas ou para levantar as suas reformas. A este isolamento junta-se a total ausência de uma polícia de proximidade. Os moradores queixam-se de que o patrulhamento das forças de segurança é quase inexistente, o que aumenta o sentimento de vulnerabilidade e a perceção de insegurança nas ruas, outrora calmas e pacíficas.
Para agravar todo este panorama social, o desemprego atinge proporções preocupantes na freguesia. Sem incentivos à fixação de pequenas empresas, comércio local ou investimentos que possam dinamizar a economia da freguesia, os jovens veem-se forçados a abandonar a sua terra natal em busca de oportunidades nas grandes cidades ou no estrangeiro. Este fluxo migratório constante contribui para o envelhecimento acelerado da população e para a desertificação humana do território. Cansados de palavras vazias e de compromissos assumidos apenas em períodos eleitorais, as forças vivas e os moradores de Nossa Senhora do Monte exigem agora uma intervenção urgente e coordenada entre o poder municipal e o governo nacional, alertando que a paciência da comunidade chegou ao limite e que a dignidade daquela população não pode continuar a ser ignorada.
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