Brava: Associação Amidjabrava pretende lançar e promover mornas de Eugénio Tavares ainda desconhecidas

  • 04/07/2019 03:09

A associação Amidjabrava, com o seu projecto de promoção da morna, pretende lançar e promover mornas desconhecidas até então do poeta Eugénio Tavares e de outros inéditos.

A informação foi avançada pelo dirigente da associação sediada nos Estados Unidos da América, Dave Barros, que se encontra de férias na ilha Brava.

Segundo o mesmo, a decisão de criar esta associação surgiu em 1987, cinco anos após ter emigrado para os EUA, ao regressar, com muita mágoa, deparou com uma ilha que passava por muitas necessidades e o número de emigrantes da ilha nos EUA é muito grande, entrou em contacto com vários outros elementos, decidindo assim, “fazer algo positivo” para a Brava.

Assim, criaram esta organização para apoiar naquilo que estivesse no alcance dos membros.

Conforme contou, no início, tentaram enviar materiais escolares a pessoas necessitadas, mas foi algo que lhes deu a perceber que talvez “não era muito benéfico” para a ilha e então decidiram avançar nos aspectos culturais.

Para iniciar, começou-se por levantar o busto de Eugénio Tavares na praça da Vila de Nova Sintra, de seguida levantaram, depois de 15 anos, o símbolo cultural da zona de Cruz Grande que o ciclone Beryl deitou abaixo em 1982, no período de cólera apoiaram o hospital da ilha, entre outros projectos de cariz social.

“Recentemente temos enveredado num projecto onde estamos promovendo morna como património imaterial da humanidade e como património nacional, promovendo artistas, compositores e poetas bravenses de pouco conhecimento no país”, adiantou o dirigente.

Conforme o mesmo, a Brava é conhecida “infelizmente”, somente como a terra de Eugénio Tavares, mas a ilha tem outros grandes poetas que devem ser conhecidos, e é neste sentido que este projecto surgiu e vai colocar a venda obras que já foram lançadas no âmbito do projecto, ainda neste mês de Julho.

Este projecto consiste em CD, onde é feita a divulgação de mornas muito conhecidas na Brava e outros inéditos e futuramente, pretendem “promover mornas que ninguém em Cabo Verde conhece, mesmo incluindo de Eugénio Tavares que ainda não foram cantadas nem publicadas e nem ouvidas”.

“A intenção é criar uma enciclopédia de mornas e manter esta cultura que é a nossa raiz e a afinidade cultural viva”, observou.

Nesta primeira fase foram incluídos artistas como Assol Garcia, Kim Alves, Djick D´Oliveira e, no futuro, querem que outros artistas participem, para um maior e melhor desenvolvimento da cultura.

Para a divulgação já têm agendado concertos agendados em várias localidades dos Estados Unidos e no futuro, em Portugal e Cabo Verde.

“Estamos encorajando todos os artistas que ainda não são versáteis na nossa cultura que se envolvem, que conversem com pessoas mais idosas e experientes porque a geração mais experiente da Brava está nos Estados Unidos, mas o contacto hoje em dia é possível a qualquer momento e é a ultima geração é a que está apostando na nossa cultura, na nossa morna e não queremos perdê-la”, finalizou Dave Barros.