Seção Consular da Embaixada em Roma-Itália em polvorosa: Cabo-verdianos residentes indignados denunciam situação constrangedora por alegada má atuação da funcionária Maria Silva

  • 09/07/2019 03:04

Em polvoroso é como se descreve o ambiente existente entre a comunidade cabo-verdiana residente em Itália neste momento. É que um grupo representativo de todas as associações da comunidade cabo-verdiana em Roma procurou o Asemanaonline para denunciar aquilo que considera ser um caso único na Diáspora cabo-verdiana: o alegado império da funcionária da Seção Consular da Embaixada de Cabo Verde em Roma, Maria Silva.

Segundo o colaborador deste jornal em Itália, o grupo referido alerta às autoridades nacionais que a situação está a tornar-se intolerável. Representando imigrantes cabo-verdianos em Roma, dizem que falam em nome da primeira e segunda gerações radicados em Itália. Que estão há muitos anos empenhados na vida associativa, participam ativamente em todas as lutas sociais e culturais da comunidade, realçando o papel importante que têm tido na promoção da imagem do nosso país no mundo.

«Estamos preocupados e revoltados com o alegado poderio, o amiguismo e compadrio que grassam e assombram a Seção Consular da Embaixada de Cabo Verde em Roma, desde que a senhora Maria Silva assumiu as funções referidas naquela instituição», denuncia o grupo.

Lembra que Maria Silva (ver a foto) foi contratada para assumir as funções da técnica da Secção Consular da Embaixada de Cabo Verde em Roma, apesar de estar a assinar como responsável financeira e administrativa do consulado, para prestar serviço. O grupo alerta que a postura de Silva tem provocado a indignação popular, pois, segundo os residentes cabo-verdianos ouvidos por este diário digital, esta «funcionária não tem atuado com respeito e nem com profissionalismo perante os imigrantes de Cabo Verde em Itália».

Segundo a nossa fonte, a comunidade reclama do comportamento alegadamente antiprofissional da funcionária, que está lá a atuar, pois, «os conterrâneos asseveram que, além de ser mal-humorada, ela ausenta várias vezes do seu posto de trabalho, sem dar satisfação à comunidade, fazendo-na perder tempo em conseguir um serviço que a mesma funcionaria presta e nem justifica a sua ausência do posto de trabalho aos superiores».

Supostos interesses e discriminação

Os ouvidos por este jornal descrevem que Silva «ocupa maior tempo nos expedientes da associação Kriol-Itá, que a própria fundou e preside, com supostos interesses pessoais no meio, criando um certo conflito de interesse na Embaixada». É que, segundo alertam, Maria Silva uma é técnica da Secção Consular, o que favorece a sua associação em relação a outras organizações cabo-verdianas. Isto por dispor, em primeira-mão, de informações úteis, oportunidades do Governo, das organizações internacionais e até da Presidência da República, onde tomou posse recentemente como membro do Conselho da República. Como excluir outras associações da vida social e cultural da comunidade? – Questionam os críticos.

A fazer fé nos informantes deste jornal em Itália, os imigrantes cabo-verdianos opõem a este tratamento que consideram ser iníquo e discrepante entre as associações que pode repercutir negativamente numa comunidade que sempre foi unida e solidária com causas e problemas que diariamente enfrenta. « Haverá um Deus maior para uns e um Deus menor para outros? Demandam com um grito de revolta e preocupados com o castelo que os governantes do nosso arquipélago está a construir para proteger os abusos da técnica do consulado no seio da comunidade», contestam.

Mas esta revolta vai mais longe, quando Maria Silva foi escolhida para ser colaboradora do Programa Nação Global da Rádio de Cabo Verde. Criticam o protagonismo que a mesma recebe tanto da rádio e televisão pública do nosso arquipélago, quando desloca a serviço da sua associação ao país, na difusão e propagação da sua imagem. Segundo eles, as associações Cabo-verdianas em Itália vêem desenvolvendo grandes projetos a favor de Cabo Verde que mereciam atenção da comunicação pública do país, daí não entendam essa discriminação com as outras associações.

Colaboradora parcial da RTC e desautorização do ex-Embaixador

Mas os protestos não ficam por aí. O grupo referido protesta a escolha da Maria Silva como colaboradora do Programa Nação Global da Rádio Nacional de Cabo Verde, alegando que ela não tem experiência na área de comunicação e ter sido parcial na divulgação das notícias da comunidade, enviando somente informações da sua associação, ignorando por completo iniciativas de outros grupos, já que a sua relação com restantes associações tem sido péssima .

Os críticos acreditam que existem profissionais e amadores da comunicação social, quer da rádio, quer da televisão e que não foram nem tidos nem achados no processo da escolha de um correspondente da RTC em Roma-Itália.

Uma situação que consideram ser gritante, impulsionado a luta que dizem é para continuar e que esperam que seja ultrapassada e resolvida o quanto antes, a bem de todos.

«Os imigrantes cabo-verdianos em Itália dizem que estão fragilizados perante a atual gestão consular por Maria Silva, que tem descriminado e muito os seus conterrâneos e chegar ao ponto de até de desrespeitar o ex-Embaixador, pelo simples fato deste não atender positivamente a um pedido dela». Esta situação levou ao ex-Embaixador a ser desautorizado pelo seu superior, para que atendesse ao pedido desta funcionária. « A quem dirigir esta denúncia? Ao Governo? À Presidência da República? A quem?», questiona o grupo representativo de cabo-verdianos residentes em Itália.

Mas os críticos avisam que a emigração não dorme e nem espera ser convidada para as festas dos imigrantes de sucesso. «O nosso combate é outro.
Por Cabo Verde, a emigração contínua de pé, num desafio aos deuses e aos homens”, finalizam as fontes referidas.

Entretanto, contamos retomar esta matéria com a visada Maria Silva, caso queira reagir às críticas do grupo representativo de cabo-verdianos residentes em Roma-Itália.