Passageiros com destino a São Filipe denunciam "total abandono" da CV Sky após atraso prolongado
Cidade de Nova Sintra, 8 de Agosto de 2026 (Bravanews) - A insatisfação e o sentimento de revolta tomaram conta de um grupo de cidadãos bravenses que pretendia viajar para São Filipe. A denúncia pública, motivada por falhas graves na prestação de serviço da companhia aérea CV Sky, descreve um cenário de profunda desorganização e falta de consideração pelos direitos dos utentes do transporte aéreo nacional.
A situação foi tornada pública através de uma reclamação formal apresentada pela passageira Carmem Monteiro. A utente expressou a sua indignação face aos sucessivos constrangimentos ocorridos logo nas primeiras horas do trajeto programado a partir da capital, Praia, colocando em evidência os sérios impactos causados na vida dos passageiros.
O foco da contestação reside no cancelamento imprevisível do voo matinal e no subsequente atraso substancial do serviço alternativo. Segundo relatos dos passageiros afetados, a viagem apenas se concretizou quase dez horas após o horário que estava originalmente previsto e contratado nos bilhetes de passagem.
Durante todo este período de incerteza, a transportadora aérea CV Sky não apresentou qualquer fundamentação clara ou justificação prévia para o cancelamento do voo. A ausência de esclarecimentos técnicos ou operacionais gerou um clima de perplexidade e forte desagrado entre as dezenas de pessoas que aguardavam no aeroporto.
A alteração drástica na programação do transporte aéreo desencadeou um efeito dominó inevitável no itinerário interilhas dos viajantes. Devido ao atraso de quase dez horas até ao desembarque na ilha do Fogo, os passageiros perderam a ligação marítima que asseguraria a última etapa da viagem até à ilha da Brava.
Com a perda irremediável da embarcação, o grupo viu-se confrontado com uma situação de retenção forçada e prolongada na ilha do Fogo. Sem alternativas imediatas de transporte marítimo disponíveis nos dias seguintes, a perspetiva de regresso ou chegada ao destino final ficou comprometida até à próxima segunda-feira.
Para além das horas de espera prolongada e do desencontro de ligações, o ponto mais crítico da denúncia incide na atuação da transportadora em relação aos direitos dos passageiros. Carmem Monteiro classifica a postura da empresa como um ato de "total abandono", acusando a operadora de se esquivar às suas obrigações legais básicas.
A denúncia aponta especificamente a recusa expressa da CV Sky em assumir a responsabilidade financeira pelos custos decorrentes do imprevisto. A companhia recusou-se a cobrir os encargos de alojamento, alimentação e transporte terrestre indispensáveis para a estadia forçada dos afetados na ilha do Fogo.
A conduta da empresa contraria diretamente as diretrizes e os regulamentos de proteção do passageiro em vigor na Aviação Civil de Cabo Verde. Tais diplomas legais estabelecem expressamente que, perante cancelamentos ou atrasos significativos, as companhias aéreas têm a obrigação de garantir assistência integral a todos os passageiros lesados.
O dever legal de proteção abrange o fornecimento de refeições, bebidas e, quando a retenção implica dormida, o asseguramento de alojamento adequado e os respectivos deslocamentos entre o aeroporto e o local de dormida até que a viagem seja concluída com sucesso.
Perante o cenário de desamparo e os prejuízos acumulados, os afetados exigem uma tomada de posição pública e urgente por parte dos responsáveis da CV Sky. O grupo requer um pedido de desculpas transparente e a fundamentação detalhada sobre as causas que originaram os graves transtornos na operação.
Ademais, a exposição culmina com a exigência formal do ressarcimento financeiro integral de todas as despesas extraordinárias que os passageiros foram forçados a suportar. O grupo apela ainda à intervenção das autoridades reguladoras do setor da aviação para que fiscalizem o cumprimento da lei e evitem a repetição de casos semelhantes.
MS






















