Cabo Verde e Índia apontam a pesca como nova fronteira de cooperação estratégica no Atlântico
A cooperação entre Cabo Verde e Índia poderá ganhar uma nova dimensão através do setor das pescas, com oportunidades nas áreas de tecnologia, sustentabilidade, formação e valorização dos recursos marinhos. O arquipélago cabo-verdiano surge como parceiro estratégico para a Índia numa área considerada essencial para o futuro da economia azul.
Cabo Verde poderá transformar o seu vasto espaço marítimo numa das principais plataformas de cooperação com a Índia, tendo a pesca como ponto de partida para uma nova parceria estratégica entre os dois países.
Um artigo publicado pela GovInsider destaca que o setor das pescas poderá ser a “primeira fronteira” da cooperação entre Cabo Verde e Índia, numa altura em que os dois países procuram aprofundar relações em áreas ligadas ao oceano, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável.
Para Cabo Verde, um pequeno Estado insular com uma das maiores zonas económicas exclusivas da África Ocidental, o reforço das capacidades no setor marítimo representa uma oportunidade para aumentar o valor económico dos seus recursos naturais, melhorar a gestão das pescas e criar novas oportunidades para as comunidades costeiras.
A Índia, por sua vez, possui uma das maiores indústrias pesqueiras do mundo e experiência em áreas como aquacultura, processamento de pescado, monitorização marítima e utilização de tecnologia aplicada à gestão dos oceanos. A cooperação poderá incluir partilha de conhecimento, capacitação técnica e soluções digitais para melhorar a eficiência e sustentabilidade da pesca cabo-verdiana.
O setor das pescas tem uma importância estratégica para Cabo Verde, não apenas pelo seu impacto económico, mas também pelo papel que desempenha na segurança alimentar e no sustento de milhares de famílias ligadas às comunidades costeiras.
Nos últimos anos, o país tem reforçado a aposta numa gestão mais sustentável dos recursos marinhos, incluindo medidas para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, além do fortalecimento dos sistemas de monitorização e controlo.
Cabo Verde também tem desenvolvido parcerias internacionais para modernizar o setor. O acordo de pesca com a União Europeia, por exemplo, inclui apoio financeiro destinado ao desenvolvimento sustentável das pescas, melhoria da fiscalização, investigação científica e apoio às comunidades piscatórias.
Uma eventual aproximação com a Índia poderá permitir a Cabo Verde beneficiar de tecnologias utilizadas na gestão moderna dos oceanos, incluindo sistemas de rastreamento de embarcações, análise de dados pesqueiros e métodos de conservação e processamento do pescado.
O objetivo seria passar de uma economia baseada principalmente na captura de recursos para uma cadeia de valor mais completa, onde o pescado cabo-verdiano possa gerar mais rendimento através do processamento, exportação e criação de empregos qualificados.
A parceria também poderá fortalecer a posição de Cabo Verde como um país de referência na chamada Economia Azul, aproveitando a sua localização estratégica no Atlântico entre África, Europa e América.
Embora Cabo Verde e Índia tenham relações diplomáticas há décadas, a cooperação económica entre os dois países ainda apresenta potencial de crescimento. O setor marítimo surge agora como uma área onde os interesses dos dois países podem convergir.
Para Cabo Verde, a prioridade será garantir que qualquer nova parceria contribua para o desenvolvimento nacional, fortalecendo os pescadores locais, protegendo os recursos marinhos e criando maior valor dentro do país.
A pesca poderá assim tornar-se não apenas uma atividade tradicional, mas também uma porta de entrada para uma nova fase de inovação e cooperação internacional liderada por Cabo Verde no Atlântico.






















