Francisco Tavares lança duras críticas à atual gestão da Câmara Municipal da Brava e questiona transparência, governação e impacto no desenvolvimento da ilha

Cidade de Nova Sintra, 15 de Janeiro de 2026 (Bravanews) - O ex-Presidente da Câmara Municipal da Brava, Francisco Tavares, veio a público tecer críticas contundentes à atual administração municipal, liderada pelo PAICV, levantando um conjunto alargado de questões que, segundo afirma, colocam em causa a transparência, a verdade dos factos divulgados, a boa governação e o real impacto das políticas municipais no desenvolvimento da ilha.

Jan 15, 2026 - 05:30
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Francisco Tavares lança duras críticas à atual gestão da Câmara Municipal da Brava e questiona transparência, governação e impacto no desenvolvimento da ilha

Numa mensagem enviada à Bravanews, Francisco Tavares começa por questionar aquilo que considera ser um afastamento dos princípios básicos de transparência administrativa, interrogando: “Onde foi morar a transparência? Onde estão os concursos públicos?”. Para o ex-autarca, a atual gestão tem recorrido sistematicamente a atribuições diretas, sem procedimentos concursais claros, em áreas sensíveis da administração municipal.

Entre os pontos mais críticos, Francisco Tavares contesta o que chama de “narrativa da mentira” utilizada pela nova equipa camarária. Segundo o ex-Presidente, várias informações divulgadas pela atual gestão não correspondem à realidade, nomeadamente no que diz respeito ao número de funcionários da Câmara, alegadas dívidas no valor de 300 mil contos, à situação do camião de recolha de lixo, ao ingresso de mais de uma centena de novos funcionários na edilidade, bem como referências a processos judiciais, relatórios e alegadas restrições judiciais à sua pessoa. “Tudo mentira”, afirma, de forma categórica.

No campo das obras e investimentos, Francisco Tavares acusa a atual administração de um ano inteiro sem resultados visíveis, com obras paradas e ausência total de projetos próprios, afirmando que a nova gestão não apresentou qualquer iniciativa estruturante desde que assumiu funções. Paralelamente, denuncia a atribuição de trabalhos e obras da Câmara a particulares, incluindo deputados municipais e apoiantes políticos, que, segundo diz, não são sequer empresas legalmente constituídas para esse efeito.

Outro ponto levantado prende-se com o aumento significativo do Fundo de Financiamento Municipal (FFM) desde o início do mandato, incluindo um novo aumento previsto para o segundo ano. Para Francisco Tavares, este reforço financeiro não se traduziu em qualquer melhoria concreta para a ilha da Brava. Pelo contrário, critica o impacto zero no desenvolvimento local e a não implementação do Plano de Cargos, Funções e Remunerações (PCFR) na Câmara Municipal, uma reivindicação antiga dos funcionários.

No plano interno da edilidade, o ex-Presidente fala em redistribuição de funções, despedimentos e alegada perseguição política, denunciando pressões sobre funcionários identificados como apoiantes do MpD, enquanto, segundo afirma, colaboradores ligados ao PAICV teriam sido beneficiados com aumentos salariais e outros privilégios.

Francisco Tavares chama ainda a atenção para o aumento expressivo das despesas dos gabinetes do Presidente da Câmara e dos Vereadores, comparando os orçamentos de 2024, 2025 e 2026 com os da equipa camarária anterior. Questiona, assim, a coerência do discurso inicial da nova gestão que afirmava ter herdado uma Câmara “falida e sem dinheiro”.

A situação do camião de recolha de lixo é outro dos temas destacados. Segundo Tavares, o veículo foi deixado avariado pela sua equipa, mas considera inadmissível que, um ano depois, o mesmo continue inoperante, sem solução visível para um serviço essencial à população.

No plano estratégico, o antigo edil questiona abertamente: “Qual é, afinal, o programa governativo da Câmara Municipal da Brava do PAICV para este mandato?”. Segundo afirma, existem projetos elaborados e deixados prontos para negociação com o Governo, nomeadamente junto dos Fundos do Ambiente, do Turismo e do MIOTH, mas nenhum avançou. Acrescenta ainda que não surgiram novos projetos desde a tomada de posse da atual equipa.

Particular destaque vai para a organização das festas de São João Baptista, onde Francisco Tavares denuncia a atribuição direta de 1.500 contos para a parte tradicional das festividades a duas pessoas particulares, alegadamente próximas do Presidente da Câmara, sem concurso público, sem experiência comprovada e sem ligação a associações culturais reconhecidas. Questiona ainda a existência e os termos do contrato para a prestação deste serviço.

No mesmo contexto, critica a atribuição direta da organização do Baile de São João a um empresário da ilha do Fogo, também sem concurso público e sem que seja conhecido qualquer contrato formal.

Francisco Tavares sublinha que estes são apenas alguns dos muitos assuntos que, no seu entender, merecem investigação e acompanhamento por parte da comunicação social. Apela a um trabalho sério, imparcial e rigoroso, que tenha como único objetivo o bem da ilha Brava e dos seus munícipes.

“E há muitos mais assuntos…”, conclui o ex-Presidente da Câmara Municipal da Brava, deixando em aberto novos desenvolvimentos neste debate político e institucional que promete marcar a atualidade local.

Ms