Brava: Entusiastas das festas de Fim de Ano e de Reis Magos apelam ao Pelouro da Cultura para envidar esforços e reavivar a tradição

  • 07/01/2023 02:31

Entusiastas e membros dos grupos que outrora organizavam as festas de passagem de ano e de Reis Magos na Brava, consideradas uma “tradição única” na ilha, apelam ao pelouro da Cultura para envidar esforços e reavivar esta tradição.

Em declarações à imprensa, Francisco Almeida relembrou com “muita tristeza” como eram feitas estas festas antigamente, tradição que, segundo o mesmo, envolvia muitos grupos que brincavam, mas hoje a tradição já não é o que era.

Relembrou que nestas festas, agora em desuso, a música que animava os bailaricos era toda ela instrumental, ao som do violino, da rebeca e cada mãe levava as suas filhas para juntos se divertirem numa noite em que havia a tradição da troca de salas, quer fosse de 31 de Dezembro para o1 de Janeiro ou na noite de 05 para 06 de Janeiro, altura em que se festeja o “Reis”.

Nesta troca de salas, explicou que os homens (sócios) de cada sala trocavam com os de outras salas e as damas permaneciam na mesma sala inicial e quando os homens chegavam para a troca de salas elas os esperavam sempre de forma educada, divertiam por cerca de duas horas e depois os homens voltavam a trocar com um outro grupo, por um mesmo período.

Mas, hoje em dia, conforme reforçou, esta tradição já não existe, pois, evidenciou que na altura a Câmara Municipal da Brava apoiava os grupos e cada violinista ou tocador tinha o prazer em participar nestas actividades, o que hoje já não é visível.

“A câmara já não apoia e o preço cobrado por cada tocador é muito elevado para fazer uma festa a noite inteira, a base do instrumento”, lamentou este festeiro, para quem a parte que mais temiam era o amanhecer.

“Um temor com dois sabores. Um de tristeza porque a noite tinha finalizado, e um de alegria porque era a hora de todos os grupos se reunirem na praça Eugénio Tavares, cantar as Boas Festas, ou mesmo sair, casa a casa, cumprimentando as pessoas”, recordou Francisco Almeida.

Igualmente, Antonita Tavares relembrou com “muito orgulho” esta época em que a tradição da Brava era a “única” e transmitia a qualquer um, seja ele jovem, adulto ou idoso, a vontade de participar nestas festas.

“Era tudo diferente, maravilhoso, muitos grupos, a troca de sala, música de violino e hoje tudo caiu em desuso”, relembrou, lamentando o facto da juventude dos dias de hoje não querer enveredar por estas tradições.

E neste sentido, apelam ao pelouro da Cultura para tentar organizar algum grupo nos próximos anos, na tentativa de manter a tradição da ilha com violino e rabeca porque que já viveu essas festas nos anos anteriores, já não possui vontade de sair e participar nas organizações de agora, pois “não há nada para ver, não há música nem baile nos estilos que permitem todos se divertir”.

“É preciso resgatar a fantasia e o brilho dessas festas na Brava que é um marco histórico e único na cultura do País que deve ser mantida viva”, finalizaram.

Na Brava, a festa de Reis possui uma “grande importância” para a sociedade, tanto é que a Câmara Municipal da Brava concede tolerância de ponto municipal para o dia 06 de Janeiro, “como tradição e prática históricas da ilha”.

De acordo com um comunicado da autarquia, foi aprovada, por unanimidade, na Assembleia Municipal da Brava, a decisão de consagrar como feriado municipal o dia 06 de Janeiro, baseado na tradição e na prática dessa tolerância desde antes dos anos 80.