Presidente CMB Amandio Brito diz-se desagradado com a resposta recebida da CVI
Cidade de Nova Sintra, 22 de Dezembro de 2025 (Bravanews) - A resposta da Cabo Verde Interilhas (CVI) às preocupações manifestadas pelo Presidente da Câmara Municipal da Brava, Amândio Brito, continua a suscitar forte debate público, à medida que se agrava a escassez de produtos de primeira necessidade na ilha e noutras partes do país, numa altura particularmente sensível do ano.
A CVI disse que o desencanto manifestado deve ser canalizado para quem “não está a fazer bem o seu trabalho”, rejeitando ser apontada como a principal responsável por uma crise que considera sistémica. Ainda assim, termina a sua resposta reafirmando disponibilidade para continuar a dialogar e melhorar o serviço prestado, dentro das limitações existentes.
Do lado da Câmara Municipal da Brava, Amândio Brito endureceu o tom e descreveu um cenário que considera dramático e inaceitável, sobretudo numa quadra festiva. Segundo o autarca, o problema não se limita à Brava, mas é transversal a todo o arquipélago e avança de que a CVI está longe de fazer o impossível para resolver os problemas da ilha.
“A Praia é o mercado abastecedor e o cenário é o mesmo com o que temos aqui: ou seja, não há produto de consumo de primeira necessidade: nem ovos, nem cebola, nem batata, nem farinha, nem açúcar, nem brinquedos. Neste exato momento, estou a ouvir relatos de todas as ilhas e a situação é a mesma. É o desencanto total”, afirmou o presidente da CMB.
Amândio Brito revelou ainda que a população e os comerciantes criaram expectativas com o aumento do número de viagens do navio Kriola, acreditando que essa medida resolveria o problema do abastecimento. No entanto, segundo o edil, a realidade no terreno demonstra o contrário.
“Vimos o aumento do número das viagens do navio Kriola e com isso, claro está, passámos a pensar que o problema de abastecimento das casas comerciais ficaria resolvido, mas pelos vistos nada mudou. Continuamos com falta de produtos de primeira necessidade nesta quadra e com sérios prejuízos para os comerciantes e para os nossos munícipes”, lamentou.
O autarca questiona ainda a distribuição das viagens semanais, considerando incompreensível que, num total anunciado de cinco viagens por semana, a Brava não consiga garantir pelo menos um dia fixo de ligação.
“Dessas cinco viagens por semana, a Brava não pode ter pelo menos um dia?”, questionou, visivelmente frustrado.
Num desabafo carregado de emoção, Amândio Brito afirmou sentir-se profundamente entristecido com os relatos que tem recebido da população.
“Entristece e é com muita mágoa que assisto pessoas a reclamarem da falta do básico para esta quadra festiva. Famílias a reclamarem porque nem podem oferecer um brinquedo ou um bolo aos seus filhos porque nas lojas não há nada. Isso é inadmissível”, afirmou, acrescentando que, perante esta realidade, não consegue ficar em silêncio.
As declarações do presidente da Câmara Municipal da Brava refletem o sentimento generalizado de indignação e abandono vivido por muitos bravenses, que vêem o isolamento da ilha agravar-se em períodos críticos, com impactos diretos na economia local, no bem-estar das famílias e na dignidade das pessoas.
A troca de posições entre a CVI e a autarquia da Brava volta a expor fragilidades profundas do sistema de transporte marítimo nacional e reforça o apelo a soluções estruturais, coordenadas e urgentes, sob pena de a escassez de bens essenciais deixar de ser um problema pontual para se tornar uma crise permanente, penalizando sobretudo as ilhas mais periféricas do país.

















