Brava: Funcionários da Câmara Municipal contestam implementação do novo PCFR
Alguns funcionários da Câmara Municipal da Brava manifestaram hoje o seu descontentamento com a implementação do novo Plano de Cargos, Funções e Remunerações (PCFR), alegando que não foram devidamente beneficiados, apesar dos longos anos de serviço na instituição.
Em declarações à Inforpress, Abel Silva afirmou que trabalha na autarquia há cerca de 29 anos e que integra o quadro privativo há mais de duas décadas, mas considera injusta a forma como o novo PCFR foi aplicado.
“Comecei a trabalhar na autarquia há muito tempo e hoje já tenho 29 anos de serviço. Estou no quadro há mais de 20 anos, mas estou insatisfeito com a implementação do novo PCFR, porque praticamente não beneficiei em nada, apenas cerca de três mil e setecentos escudos”, afirmou.
Segundo o funcionário, dos cinco trabalhadores efectivos da autarquia, apenas dois foram beneficiados com a nova implementação, enquanto três, incluindo ele, não registaram qualquer melhoria significativa.
“Somos três colegas na mesma situação. Os outros dois foram beneficiados, mas nós não. A nossa principal reivindicação é que o novo PCFR é injusto para nós. Para alguns pode ser justo, mas, no meu caso, com mais de 20 anos como quadro privativo da autarquia, não houve qualquer promoção ou progressão na carreira”, questionou.
Abel Silva levantou ainda dúvidas quanto à transparência do processo, afirmando que, até ao momento, apenas teve acesso a uma lista transitória, desconhecendo a existência da lista definitiva de enquadramentos.
“Disseram-nos que estamos enquadrados no novo PCFR, mas no papel não vimos absolutamente nada. Apenas recebemos um pequeno aumento que, para mim, não justifica o tempo de trabalho nesta instituição. Queremos ver o documento de forma clara”, reforçou.
O funcionário considerou ainda grave o facto de o PCFR já estar a ser aplicado sem, segundo disse, ter sido publicado no Boletim Oficial.
“O PCFR já foi implementado, já começámos a receber, mas nem sequer foi publicado no Boletim Oficial. Isso é uma situação grave”, frisou.
Abel Silva acrescentou que, de acordo com informações de que dispõe, o Governo aumentou o Fundo de Financiamento Municipal, o que, no seu entender, elimina qualquer justificação para o não cumprimento dos direitos dos funcionários.
“Em cerca de dois anos, temos informação de que houve um aumento superior a 2.500 contos no Fundo de Financiamento Municipal. Por isso, não há desculpa para não cumprirem os seus deveres”, afirmou.
Na mesma linha, José Fernandes, também funcionário da Câmara Municipal da Brava, disse partilhar do mesmo descontentamento.
Com 27 anos de trabalho e mais de 20 anos no quadro, garante não ter beneficiado em nada com a implementação do novo PCFR.
“Sou o único fiscal da autarquia que entrou através de concurso público. Sinto-me frustrado porque, apesar de ser do quadro, não tive qualquer melhoria com a implementação do PCFR, enquanto alguns colegas sim”, declarou.
Segundo José Fernandes, três funcionários encontram-se na mesma situação, sem promoção nem progressão na carreira, apesar de mais de duas décadas de serviço.
“Queremos esclarecimentos sobre o porquê de alguns serem beneficiados e outros não”, concluiu.
O novo PCFR implementado pela Câmara Municipal da Brava tem gerado descontentamento entre vários funcionários da instituição, de diferentes sectores, que têm recorrido à comunicação social para denunciar a situação.
A Inforpress tentou obter uma reacção junto da entidade responsável, que prometeu pronunciar-se sobre o assunto em breve.
Inforpress/fim

















