Deputado João José Delgado faz uma comparação considerada ofensiva, associando a coloração actual da estátua à figura de uma “mandinga”.

Cidade de Nova Sintra, 31 de Janeiro de 2026 (Bravanews) - A recuperação em curso da estátua de Eugénio Tavares, uma das figuras maiores da cultura, da literatura e da identidade bravense, está a gerar forte polémica na ilha Brava, depois de um post público do Deputado Municipal João José Delgado, no qual o eleito faz uma comparação considerada ofensiva, associando a coloração atual da estátua à figura de uma “mandinga”.

Jan 31, 2026 - 10:08
 0  72
Deputado João José Delgado faz uma comparação considerada ofensiva, associando a coloração actual da estátua à figura de uma “mandinga”.

A intervenção do deputado, feita através das redes sociais, rapidamente suscitou reações diversas, sobretudo pela forma como foi abordada uma obra simbólica que homenageia o poeta, compositor e pensador bravense, cuja contribuição para a morna, para a língua crioula e para a afirmação cultural cabo-verdiana é amplamente reconhecida a nível nacional e internacional.

No seu post, João José Delgado faz alusão à cor que a estátua está a assumir no âmbito das obras de recuperação levadas a cabo pela Câmara Municipal da Brava, recorrendo a uma comparação que muitos cidadãos classificam como infeliz, desrespeitosa e culturalmente ofensiva. Para vários bravenses, a referência ultrapassa o campo da crítica política ou técnica, tocando diretamente na dignidade da memória de Eugénio Tavares.

Embora alguns eleitores e leitores tenham defendido que a Bravanews não deveria centrar atenções num deputado municipal específico, a redação entende que não é possível permanecer em silêncio quando está em causa o respeito por uma das figuras mais importantes da história cultural da Brava. Eugénio Tavares não é apenas um símbolo municipal; é um património moral, artístico e identitário do povo bravense.

Várias vozes da sociedade civil consideram que críticas a obras públicas devem ser feitas com elevação, responsabilidade e consciência histórica. Para estes cidadãos, a forma escolhida pelo deputado municipal para se expressar não contribui para um debate construtivo sobre a qualidade da intervenção na estátua, desviando o foco para uma linguagem que fere sensibilidades e banaliza o legado de Eugénio Tavares.

Contactos ouvidos pela Bravanews sublinham que a recuperação de monumentos históricos pode e deve ser debatida — quanto à técnica utilizada, à estética final ou à preservação do traço original —, mas sempre com respeito pela figura homenageada e pela memória coletiva. “Eugénio Tavares merece crítica séria, não comparações depreciativas”, afirmou um munícipe ouvido pela nossa redação.

Até ao momento, a Câmara Municipal da Brava não emitiu um esclarecimento público detalhado sobre as opções técnicas e artísticas adotadas na recuperação da estátua, mas fontes próximas do processo indicam que a intervenção visa preservar o monumento e prolongar a sua durabilidade face à degradação provocada pelo tempo e pelas condições climáticas.

O episódio reabre um debate mais amplo sobre o papel dos eleitos municipais no discurso público e sobre os limites da crítica política quando estão em causa símbolos culturais profundamente enraizados na identidade de uma comunidade. Para muitos bravenses, o respeito por Eugénio Tavares é também respeito pela própria Brava.

A Bravanews reafirma o seu compromisso com a defesa da cultura, da história e dos valores da ilha Brava, dando voz ao debate público sempre que este se impõe, sobretudo quando estão em causa figuras que fazem parte do património imaterial do povo bravense. Eugénio Tavares continua a ser, ontem como hoje, um pilar da alma cultural da Brava — e a sua memória exige dignidade.