A HOMENAGEM QUE AMÍLCAR CABRAL NÃO MERECIA - Um texto de Francisco Tavares

A estatura histórica de Amílcar Cabral — referência maior de Cabo Verde, de África e da luta de libertação — exige que qualquer homenagem pública esteja à altura do seu legado. Infelizmente, a praceta recentemente inaugurada na cidade da Praia não cumpre esse dever de dignidade.

Jan 27, 2026 - 20:30
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A HOMENAGEM QUE AMÍLCAR CABRAL NÃO MERECIA - Um texto de Francisco Tavares
O espaço escolhido, pequeno, escondido e desprovido de qualidade estética, não reflete a dimensão simbólica de Cabral. A situação agrava-se com a colocação simultânea de um busto e de uma estátua que, além de não se assemelharem entre si, não representam fielmente o homenageado. Tudo isto a escassos 1,5 km do Memorial Amílcar Cabral, um espaço verdadeiramente digno e já existente.
Do ponto de vista institucional, causa estranheza que o PAICV — herdeiro direto do PAIGC fundado por Cabral — só agora, após décadas de governação nacional e municipal, apresente um “monumento” desta natureza. A comparação com a homenagem prestada a Eugénio Tavares pelo Município da Brava, com recursos incomparavelmente menores, evidencia ainda mais o desnível de cuidado, visão e respeito.
A figura de Amílcar Cabral merece espaços públicos com centralidade, dimensão, qualidade arquitetónica e valor simbólico. Merece ser referência nacional, não objeto de uma homenagem que, pela forma como foi concebida, empobrece a memória coletiva.
Cabo Verde deve a Cabral mais do que gestos protocolares. Deve-lhe dignidade.
Francisco Tavares
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