Comunidade cabo-verdiana alertada para perigos de falsas promessas religiosas e esquemas de dinheiro fácil

Cidade de Pawtucket, 18 de Novembro de 2025 (Bravanews) - A comunidade cabo-verdiana, na diáspora, enfrenta um desafio crescente relacionado com a proliferação de falsas promessas feitas em nome da fé religiosa e de supostos investimentos financeiros que anunciam lucros rápidos, elevados e sem risco. Situações deste tipo têm gerado preocupação entre líderes comunitários, religiosos e especialistas, que alertam para os perigos de acreditar cegamente em pessoas que usam o nome de Deus para prometer curas milagrosas, bem como em esquemas de dinheiro fácil ligados a criptomoedas e outros modelos de investimento duvidosos.

Jan 18, 2026 - 19:12
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Comunidade cabo-verdiana alertada para perigos de falsas promessas religiosas e esquemas de dinheiro fácil

Nos últimos anos, multiplicaram-se os relatos de indivíduos que se apresentam como “homens ou mulheres de Deus”, “profetas”, “pastores” ou “curadores”, afirmando possuir dons especiais capazes de curar doenças graves, resolver problemas de saúde incuráveis, libertar pessoas de males espirituais e até transformar a vida financeira dos fiéis. Em muitos casos, essas promessas vêm acompanhadas de pedidos de dinheiro, ofertas obrigatórias, doações elevadas ou contribuições regulares, colocadas como condição para que o suposto milagre aconteça.

Para muitas famílias, profundamente ligadas à fé e à espiritualidade, estas mensagens encontram terreno fértil, sobretudo em momentos de fragilidade emocional, doença, desemprego ou dificuldades financeiras. Especialistas alertam que é precisamente nessas situações de vulnerabilidade que surgem os maiores riscos de manipulação. Quando as promessas não se concretizam, o resultado é quase sempre o mesmo: frustração, sofrimento psicológico, endividamento e perda de esperança.

Líderes religiosos sérios e reconhecidos dentro da própria comunidade têm vindo a condenar essas práticas, sublinhando que a fé não pode ser transformada num negócio. “Deus não cobra para curar ninguém, e a verdadeira fé não se mede pela quantidade de dinheiro entregue”, afirmam, defendendo uma espiritualidade responsável, baseada no discernimento, na solidariedade e no respeito pela dignidade humana.

Paralelamente a este fenómeno, cresce também a preocupação com esquemas de enriquecimento rápido, sobretudo aqueles que envolvem investimentos em criptomoedas, plataformas digitais, negócios online e sistemas que prometem percentagens elevadas de retorno mensal ou semanal. Muitas dessas propostas são divulgadas nas redes sociais, em grupos ou através do boca-a-boca dentro da própria comunidade, frequentemente apresentadas por pessoas conhecidas, o que aumenta o nível de confiança e reduz o espírito crítico das vítimas.

Especialistas em finanças alertam que não existem investimentos legítimos que garantam lucros altos, fixos e sem risco. Quando alguém promete retornos extraordinários em pouco tempo, o sinal de alerta deve ser imediato. Em vários casos, trata-se de esquemas fraudulentos ou modelos do tipo pirâmide, onde os ganhos iniciais de alguns são pagos com o dinheiro de novos investidores, até que o sistema entra em colapso, deixando prejuízos avultados.

Há já relatos de cabo-verdianos na diáspora, que perderam poupanças de uma vida inteira, dinheiro destinado a construir casa, pagar estudos dos filhos ou garantir uma velhice tranquila. Muitas vítimas sentem vergonha de denunciar, sobretudo quando o esquema envolve familiares, amigos ou membros respeitados da comunidade, o que acaba por permitir que essas práticas continuem a fazer novas vítimas.

Associações comunitárias e líderes sociais defendem que a prevenção passa pela informação, educação financeira e pela promoção do pensamento crítico. Apelam ainda às autoridades competentes para que reforcem a fiscalização e a investigação de práticas fraudulentas, bem como à comunidade para que denuncie situações suspeitas e proteja os mais vulneráveis, especialmente idosos e pessoas com baixos níveis de literacia financeira.

A mensagem deixada é clara e urgente: a fé não deve ser usada como instrumento de exploração, e o dinheiro fácil, na maioria das vezes, é apenas uma ilusão que esconde riscos elevados. Proteger a comunidade cabo-verdiana exige união, diálogo aberto, responsabilidade coletiva e coragem para questionar promessas que parecem boas demais para ser verdade, mas que podem custar caro em termos humanos, sociais e económicos.