Deputado Samuel Varela critica gestão anterior da Câmara da Brava e admite “meia culpa” em sessão da Assembleia Municipal

Sessão da Assembleia Municipal da Brava ficou marcada por fortes críticas do deputado Samuel Varela à gestão anterior da Câmara, acusações de irregularidades financeiras e admissão de responsabilidade parcial no endividamento do município.

May 1, 2026 - 11:32
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Deputado Samuel Varela critica gestão anterior da Câmara da Brava e admite “meia culpa” em sessão da Assembleia Municipal

Na sequência da sessão da Assembleia Municipal da Brava realizada a 30 de abril de 2026, marcada pela apreciação da conta de gerência da Câmara Municipal referente ao exercício económico de 2025, o debate entre as bancadas ficou marcado por posições divergentes e por uma intervenção particularmente incisiva do deputado do MpD, Samuel Varela.

Durante a análise, Varela defendeu que uma avaliação rigorosa das contas deve basear-se na comparação com períodos homólogos, colocando ênfase na gestão anterior liderada por Francisco Tavares. O deputado classificou essa gestão como profundamente lesiva para o município, alegando práticas como tráfico de influências, favorecimento de círculos restritos, enriquecimento sem justificação e utilização recorrente de empréstimos bancários para pagamento a empresas associadas.

Entre as acusações apontadas, destacou ainda alegados pagamentos ilegais, falhas na cobrança de rendas de espaços comerciais municipais e transferências de fundos sem a devida justificação, que, segundo afirmou, terão contribuído para a perda de financiamentos de projetos estruturantes para a ilha.

Apesar das críticas, Varela reconheceu que a atual gestão municipal apresentou um crescimento de cerca de 3%, ainda que modesto, sublinhando que o foco deve estar em investimentos com impacto direto na melhoria das condições de vida da população. Defendeu que uma autarquia com recursos limitados deve priorizar a criação de oportunidades e riqueza coletiva, em vez de beneficiar interesses individuais.

No decurso da sessão, o deputado Jorge Reverdes apelou ao consenso entre as bancadas para viabilizar um eventual empréstimo bancário que impulsione o desenvolvimento do município. Em resposta, Varela manifestou abertura condicional, afirmando que apoiará financiamentos destinados a investimentos com retorno público, mas rejeitará qualquer iniciativa que beneficie interesses privados.

Dirigindo-se ao presidente Amândio Brito, o deputado utilizou um tom crítico ao referir que não apoiará empréstimos que repitam práticas do passado, classificando-as como enganosas.

Na parte final da sua intervenção, Varela reafirmou a sua posição política como membro convicto do MpD, afastando qualquer possibilidade de coligação com o PAICV. Assumiu ainda responsabilidade parcial pelo estado atual das finanças municipais, reconhecendo que, ao longo de quase quatro mandatos — incluindo funções como vereador não profissionalizado e deputado municipal —, apoiou decisões que contribuíram para o endividamento da autarquia.

O deputado apontou a renúncia de Orlando Bala como um ponto de viragem na gestão municipal, alegando que, a partir desse momento, se intensificaram práticas que resultaram em dificuldades financeiras para o município.

Varela concluiu garantindo um maior rigor na sua atuação futura, afirmando que utilizará o seu mandato para defender os interesses da população da Brava e apoiar apenas iniciativas que sejam, segundo as suas palavras, “limpas, decentes e transparentes”.