Francisco Tavares, Ex-Presidente da Câmara Municipal da Brava apela ao regresso dos emigrantes para impulsionar o desenvolvimento da Brava
Cidade de Nova Sintra, 29 de Agosto de 2025 (Bravanews) - O ex-presidente da Câmara Municipal da Brava, Francisco Tavares, lançou recentemente um apelo à diáspora bravense, incentivando os emigrantes a regressarem fisicamente à ilha para contribuírem de forma direta no processo de desenvolvimento local.

Numa reflexão publicada nas redes sociais, Tavares destacou que, apesar dos constantes discursos sobre o abandono e a alegada discriminação negativa da Brava, uma das maiores fragilidades da ilha continua a ser a sua reduzida população. “Brava precisa de gente, de população para justificar todos os investimentos que exigimos como merecimento”, frisou.
O ex-autarca lembrou que muitos investimentos feitos pelo Governo Central acabam por perder impacto devido à diminuição demográfica. Citou como exemplo a construção de escolas que, por falta de alunos, tiveram de ser encerradas, bem como a constante saída de jovens qualificados que, após concluírem os estudos fora, raramente regressam para trabalhar na ilha.
Segundo Tavares, a Brava tem recebido, proporcionalmente à sua dimensão e população, recursos financeiros superiores a outras ilhas. Contudo, o problema central está na falta de massa crítica residente que possa dinamizar setores como a educação, saúde, agricultura, pesca e serviços.
O ex-presidente foi ainda mais longe ao lançar um “sonho”: o regresso de cerca de 4.500 emigrantes, o que elevaria a população local para os 10 mil habitantes. “Tudo mudaria”, afirmou, sublinhando que tal movimento permitiria à ilha contar com professores, médicos, engenheiros, empresários e lideranças locais preparados para transformar o panorama socioeconómico.
Reconhecendo, no entanto, a dificuldade dessa ambição, Francisco Tavares alertou que tal regresso implicaria sacrifícios, uma vez que os salários e condições de vida na ilha dificilmente se comparam aos padrões das comunidades emigradas. Ainda assim, defendeu que o contributo direto dos filhos da Brava seria o verdadeiro “ato de amor” pela terra natal.
Tavares terminou a sua mensagem de forma reflexiva, admitindo que as suas palavras poderiam soar como um sonho ou até um “pesadelo”, mas reiterou a importância de cada bravense refletir sobre o papel que pode desempenhar no futuro da ilha.