População da Brava critica baixo envolvimento da emigração no Desenvolvimento da Ilha
Cidade de Nova Sintra, 25 de Junho de 2026 (Bravanews) - Uma franja considerável da população da ilha da Brava tem manifestado, nos últimos tempos, um descontentamento crescente relativamente ao nível de engajamento da comunidade bravense residente no exterior, nomeadamente nos Estados Unidos da América e na Europa. Em causa está o que os residentes consideram ser um "baixo envolvimento" dos emigrantes no desenvolvimento socioeconómico da ilha e na atração de investimentos estruturantes, traçando um contraste claro com o dinamismo observado noutras ilhas do arquipélago de Cabo Verde.
A Brava, historicamente conhecida como uma ilha de forte tradição emigratória — onde quase todas as famílias têm ramificações na diáspora —, debate-se há décadas com desafios ligados ao isolamento, à falta de emprego e à necessidade de dinamização do seu tecido empresarial. Para muitos locais, a diáspora possui o capital financeiro, o conhecimento e a rede de contactos necessários para inverter este cenário, mas falta uma acção mais prática e coordenada.
O sentimento de frustração é partilhado por vários quadrantes da sociedade civil bravense. O descontentamento foi sintetizado de forma crua e direta por um residente local que, traduzindo o desabafo popular no crioulo típico da ilha, apelou a uma mudança de atitude por parte dos conterrâneos no estrangeiro:
"Emigrantes na merca meste toma como exemplo o envolvimento de emigrantes de otus ilhas, en vez des st li ta critica tudu e todo sem poi mon." (Os emigrantes na América precisam de tomar como exemplo o envolvimento de emigrantes de outras ilhas, em vez de estarem apenas a criticar tudo e todos sem darem uma mãozinha).
Esta declaração reflete a percepção de que uma parte da comunidade emigrada prefere apontar as falhas da gestão local nas redes sociais e nos fóruns de debate, em vez de se mobilizar para criar soluções, investir em pequenos negócios ou apoiar projetos comunitários de forma sustentável, tal como acontece em ilhas como o Fogo, São Vicente, Santo Antao ou Santiago.
Os críticos apontam que, noutras paragens do país, o "remessa-investimento" vai muito além do envio de ajuda familiar ou da construção de moradias que ficam fechadas a maior parte do ano. Em ilhas vizinhas, os emigrantes têm sido motores de desenvolvimento na agricultura moderna, no turismo rural, no comércio e no restauro. Na Brava, embora as remessas financeiras continuem a ser um oxigénio indispensável para a subsistência de muitas famílias, o investimento produtivo — aquele que gera postos de trabalho e fixa a juventude na ilha — continua aquém do potencial existente.
Se, por um lado, a população local pede maior proatividade, analistas e vozes ligadas à própria diáspora lembram que o processo de investimento também esbarra frequentemente na burocracia, na falta de incentivos atrativos por parte do poder local e central, e nas dificuldades crônicas de transportes e ligações marítimas que afetam a ilha da Brava.
Ainda assim, o apelo que ecoa de Nova Sintra às zonas periféricas da ilha é claro: a Brava precisa que a sua vasta e próspera comunidade emigrada passe da bancada da crítica para o terreno da ação, "pondo as mãos à obra" para ajudar a construir o futuro da sua terra natal.
MS






















