Brava: Emigrante na Holanda proporciona um Natal diferente a cerca de 100 crianças

  • 24/12/2019 18:11

Isaura Vieira é uma bravense, emigrante há 48 anos na Holanda, e este ano, resolveu abrir as portas da sua casa para receber mais de uma centena de crianças bravenses neste Natal.

Em conversa com a Inforpress, esta emigrante contou que é uma promessa que fez ainda pequena, pois, quando chegavam emigrantes à ilha, ela ainda criança ia visitá-los na esperança que lhe dessem algum “sinal de amor”, mas muitas vezes a expectativa não coincidia com a realidade.

“Éramos de uma família pobre, e quando chegava um emigrante ficava na expectativa que iria ganhar algum presente. Fazia mandados, apoiava-os mas nem sempre me davam alguma coisa”, relembrou a emigrante.

Por isso, ela disse que prometeu que se algum dia tivesse condições fazia algo para ver um sorriso “diferente” no rosto das criancinhas, principalmente na época festiva.

Este ano, preparou para receber cerca de cem crianças, pois, reconheceu que não tem possibilidade de receber mais este ano.

Mas, para as que estão na sua casa, além de lanche e almoço, vão receber presentes, embora adiantou que nem todas vão receber iguais.

Alguns têm bonecas, outros ursos, outras roupas, meias, binóculos, conforme a idade e o que tiver disponível no seu stock, mas será entregue com muito amor.

Segundo a mesma, não está a realizar esta actividade por “grandeza” ou demonstrar superioridade, mas sim, é porque hoje já possui meios e sabe que muitas crianças não recebem presentes nesta época, porque a situação de vida está cada vez mais complicada e os pais nem sempre conseguem dá-los.

Além das crianças, pretende visitar e entregar alguma cesta básica na Cruz Vermelha da ilha e aos doentes na Delegacia de Saúde da Brava.

Para o próximo ano, esta promotora já começou a encetar contactos para realizar uma nova edição, prevendo abarcar um maior número de crianças.

A Inforpress constatou que na ilha quase que não são realizadas actividades para crianças nesta época, a não ser nos jardins infantis ou nas escolas, igrejas e alguns emigrantes que por iniciativa própria ou através de associações fazem algumas doações ou lanches para esta camada.

Mas, publicamente, envolvendo todas, é difícil reuni-las e mesmo não existe um espaço para brincarem, uma praça ou parque destinada aos mais pequenos.

MC/ZS

Inforpress/Fim