Brava: Incumprimento das datas para realização de inspecção técnica de automóveis gera mal-estar no seio dos condutores

  • 20/06/2020 10:22

Os condutores pediram hoje “mais consideração e respeito” para os cidadãos bravenses, criticando os serviços prestados pelas entidades estatais, principalmente as que não mantêm presença física permanente na ilha, e que se deslocam ali periodicamente para prestação de serviço.

Este apelo foi lançado à Inforpress pelos condutores que manifestaram o seu descontentamento com o não cumprimento das datas estipuladas pela Inspecção Técnica de Automóveis de Cabo Verde (ITAC).

Gelson Silveira, um condutor da ilha, contou que informações veiculadas na rádio hoje davam conta que a ITAC, que chegou à ilha no passado dia 08 de Junho, permaneceria na Brava até a próxima segunda-feira, 23.

Entretanto, a mesma fonte avançou que hoje tiveram a informação, segundo a qual, a equipa trabalhava apenas até ao final do dia desta quarta-feira, facto que gerou uma “grande tensão” entre os condutores, que se concentraram em frente da máquina de inspecção.

“Este é um abuso, como é que numa ilha como a Brava, onde não há uma loja de venda de peças, nem nada, dependendo da ilha do Fogo e da ilha de Santiago, (…), o serviço da ITAC indica uma data limite, no caso 23, e hoje anuncia que o serviço vai finalizar, o que implica paragem para muitos de nós, chefes de família”, considerou o condutor.

Segundo o mesmo, é algo que tem de ser revisto, porque “não está certo”.

“Há que ter mais respeito para com os cidadãos, porque na Brava somos utilizados como se fossemos lixo”, disse, revoltado.
Salientou ainda que na ilha do Fogo a situação é diferente, chegando a equipa técnica a permanecer ali mais do que um mês.

“Como é que na Brava chegam e param sete ou oito dias, porque têm de ir a São Nicolau?”, questionou o motorista.

Outro condutor que demonstrou o seu descontentamento foi Ideal Penha, corroborando da mesma opinião do Gelson Silveira, acrescentando que no caso das pessoas que possuem viaturas oriundas dos Estados Unidos da América, têm de aguardar peças dos EUA e com a pandemia do covid-19 “tudo mudou”.

Segundo a mesma fonte, há que ver esta situação porque quando anunciaram uma data, deveriam cumpri-la. “Brava também não é Cabo Verde? Porque é que eles têm de abusar? É um direito nosso, porque pagamos por este serviço e é do Estado”, concluiu.

Afora este problema, os motoristas profissionais chamaram atenção da situação da estrada da ilha, que está péssima.

Denunciaram que as vias da cidade de Nova Sintra “não apresentam condições e nenhuma segurança, porque estão cheias de buracos”.

Contactados, os técnicos do ITAC realçaram que desde o passado mês de Março encontravam-se na ilha do Fogo, onde ficaram retidos devido à pandemia do covid-19 e que chegaram à ilha Brava no passado dia 08 de Junho, tendo iniciado os trabalhos no dia 09, mas que houve fraca adesão dos interessados.

Segundo os técnicos, nos primeiros dias fizeram menos de cinco inspecções diárias, número este que começou a aumentar para 10 no dia 15 e que hoje fizeram 29.

Tendo em conta esta situação, avançaram que vão trabalhar até esta quinta-feira, 18, e que de seguida enviam os equipamentos para a ilha de São Nicolau, onde vão prestar o mesmo tipo de serviço.

Entretanto, afirmaram que “ninguém na ilha ficará sem inspecção aos  seus automóveis”, indicando que para isso há um representante da Direcção-Geral Transportes Rodoviários (DGTR) na ilha, que pode fazer a inspecção aos carros em falta e passar uma autorização até que a equipa regresse à Brava.

MC/JMV

Inforpress/Fim