“Retórica e Imaturidade Política na Brava, entre o Passado trazido ao presente e o Presente Ignorado”

A política na ilha Brava atravessa um momento que exige maturidade, sentido de Estado e responsabilidade democrática. Infelizmente, temos assistido a um discurso frágil, carregado de comparações com o passado, utilizado como fuga às responsabilidades políticas do presente.

Mar 1, 2026 - 15:29
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“Retórica e Imaturidade Política na Brava, entre o Passado  trazido ao presente e o Presente Ignorado”

E este comportamento torna-se ainda mais grave quando parte de quem já ocupou cargos elevados nas nossas instituições.

A Assembleia Municipal da Brava (2020-2024) teve nas mãos uma missão nobre: fiscalizar o executivo, fortalecer o debate democrático e defender os interesses do povo da Brava.

No entanto, durante o seu mandato, a Assembleia não cumpriu plenamente esse papel. Faltou firmeza onde deveria haver pulso, faltou voz onde o silêncio não era opção e faltou liderança onde o povo esperava responsabilidade institucional. Foi um tempo marcado por omissões, passividade e ausência de coragem política.

Os cenários que temos observado nestes últimos dias não eram o que acontecia anteriormente.

Hoje, vemos uma figura política vir a público responder a comentários e tentar construir narrativas, comparando erros cometidos entre 2000 e 2012 pelas equipas camarárias daquele período, numa tentativa de relativizar falhas do presente. Esta estratégia não enriquece o debate político; pelo contrário, demonstra falta de argumentos sólidos e incapacidade de enfrentar a realidade atual. Erros do passado não podem servir de desculpa para omissões do presente.

Mais ainda, este discurso surge num contexto em que outro ex-presidente enfrenta processos judiciais, o que aprofunda a sensação de dever não cumprido. A Justiça existe para apurar factos e responsabilidades.

Perante esta realidade, o mínimo que se espera de quem já liderou instituições democráticas é prudência, respeito pelo Estado de Direito e compromisso com a verdade. Não é tempo de retórica inflamada nem de tentativas de desviar a atenção do essencial — o presente, o hoje.

A maturidade política mede-se pela capacidade de reconhecer erros, aprender com o passado e governar com responsabilidade no presente. Misturar tempos diferentes, ignorar as exigências atuais de transparência, boa governação e participação cidadã é sinal de esgotamento político e falta de visão para o futuro.

É preciso deixar claro: estamos em 2026. Um tempo que exige instituições fortes, lideranças responsáveis, respeito pela lei e uma política centrada em soluções concretas para os problemas reais do povo da Brava.

O futuro da ilha não se constrói com retórica defensiva, mas sim com coragem política, maturidade democrática e compromisso sério com o desenvolvimento e a dignidade dos bravenses.

O mínimo que a Brava exige — independentemente de quem esteja no poder atualmente ou de quem venha a estar num futuro próximo — é igualdade, emprego e melhores condições de vida para toda a população.

Helder Francisco Baptista Lomba
Munícipe
28 de fevereiro de 2026