Brava: Campanha veterinária avalia 65 produtores e recolhe amostras em 230 animais

O veterinário Luís Capela considerou hoje que as condições pecuárias na ilha Brava superaram as expectativas da equipa técnica, após duas semanas de campanha no terreno.

Feb 8, 2026 - 15:33
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Brava: Campanha veterinária avalia 65 produtores e recolhe amostras em 230 animais

Em declarações à Inforpress, Luís Capela informou que foram avaliados cerca de 65 produtores de bovinos e caprinos e recolhidas amostras em aproximadamente 230 animais.

O veterinário ressaltou que, apesar do contexto rural e do sistema extensivo predominante na ilha, os animais apresentam acompanhamento técnico por parte do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), registando-se níveis de produção que podem ser considerados “surpreendentes”.

Segundo o veterinário, a equipa pretende regressar à ilha para promover acções de formação e de melhoria no manuseamento e maneio animal, reforçando a importância da aprendizagem contínua por parte dos produtores.

“É fundamental que os produtores tenham uma mente aberta, não se fechem, porque há sempre espaço para melhorar e aprender”, afirmou, sublinhando a importância de seguir as recomendações do técnico local e de partilhar boas práticas entre produtores.

Capela realçou ainda que os produtores que beneficiam de maior acompanhamento técnico apresentam, de forma visível, melhor qualidade produtiva, apelando para que não se isolem nas suas explorações e aprendam com aqueles que apresentam melhores resultados.

Relativamente às análises laboratoriais, explicou que todas as amostras recolhidas serão analisadas posteriormente em Portugal, sendo os resultados comunicados MAA, sobretudo nos casos de doenças de notificação obrigatória.

A campanha inclui igualmente o rastreio de doenças produtivas e zoonoses, cuja comunicação às autoridades é obrigatória.

Neste sentido, alertou ainda para os riscos associados ao consumo de queijo fresco produzido com leite cru, prática cultural existente na ilha, defendendo a necessidade de implementar medidas preventivas para reduzir o risco de transmissão de doenças do animal para o consumidor final.

No que toca ao sistema de produção, Luís Capela considerou que o pastoreio livre, prática comum na Brava, tem promovido a saúde animal e deve continuar a ser incentivado.

Alertou ainda para a intensificação da produção e o confinamento dos animais que poderiam aumentar a propagação de doenças e dificultar o manejo, para o qual muitos produtores não estão preparados.

No entanto, chamou a atenção para a invasão de plantas herbáceas não consumidas pelos animais, que reduzem a capacidade forrageira da ilha, defendendo a continuidade do trabalho da Associação Biflores e um maior apoio governamental para o controlo dessas espécies.

“A introdução de melhorias produtivas, como genética ou intensificação do sistema, deve ser feita de forma lenta, gradual e acompanhada”, sublinhou, defendendo que o pastoreio livre constitui um dos principais benefícios da ilha, contribuindo também para o controlo das forragens e da biodiversidade, apesar dos riscos associados à mistura de animais de diferentes explorações.

A acção enquadra-se no âmbito do reforço da sanidade animal e do conhecimento sobre as principais doenças que afectam os efectivos pecuários da ilha Brava e foi realizada em parceria com a Associação Covets, contando com o apoio da Associação Biflores, Veterinários Sem Fronteiras (Portugal), entre outros parceiros.

DM/ZS

Inforpress/Fim