Ex-presidente da CMB, Francisco Tavares defende que Amílcar Cabral merece espaços públicos com centralidade, dimensão adequada, qualidade arquitetónica e elevado valor simbólico
Cidade de Nova Sintra, 28 de Janeiro de 2026 (Bravanews) - O ex-presidente da Câmara Municipal da Brava manifestou publicamente a sua discordância em relação à homenagem recentemente prestada a Amílcar Cabral na cidade da Praia. Num artigo de opinião publicado na sua rede social, o antigo autarca considerou que a iniciativa “não esteve à altura da estatura histórica” do fundador do PAIGC e principal referência da luta de libertação de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.
No texto intitulado “A homenagem que Amílcar Cabral não merecia”, o ex-presidente sustenta que o espaço escolhido para a homenagem — uma praceta recentemente inaugurada — é pequeno, pouco visível e desprovido de qualidade estética, fatores que, na sua perspetiva, diminuem o valor simbólico da figura homenageada.
Segundo o autor, a situação é agravada pela colocação simultânea de um busto e de uma estátua que, além de não se assemelharem entre si, não representam fielmente Amílcar Cabral. O antigo autarca chama ainda a atenção para o facto de a nova praceta se situar a cerca de 1,5 quilómetros do Memorial Amílcar Cabral, espaço que considera “verdadeiramente digno” e já existente.
No plano institucional, o ex-presidente da Câmara da Brava questiona o momento escolhido para a iniciativa, recordando que o PAICV, partido herdeiro direto do PAIGC fundado por Cabral, governou o país e vários municípios durante décadas. Para o autor, causa estranheza que só agora surja um monumento desta natureza.
No artigo, é ainda feita uma comparação com a homenagem prestada a Eugénio Tavares pelo Município da Brava, sublinhando que, apesar de recursos financeiros muito mais limitados, essa iniciativa teria demonstrado maior cuidado, visão e respeito pela figura homenageada.
O ex-autarca defende que Amílcar Cabral merece espaços públicos com centralidade, dimensão adequada, qualidade arquitetónica e elevado valor simbólico, alertando que homenagens mal concebidas podem empobrecer a memória coletiva.
“O país deve a Cabral mais do que gestos protocolares. Deve-lhe dignidade”, conclui o autor, frisando tratar-se de uma opinião pessoal, mas assumida como um contributo para o debate público sobre a forma como Cabo Verde preserva e valoriza a memória dos seus heróis nacionais.
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