Brava: Edil pede intervenção “imediata e rápida” do Governo para pôr cobro à situação das viagens para a ilha

  • 11/01/2023 07:18

O presidente da Câmara Municipal da Brava, Francisco Tavares, apelou hoje ao Governo uma “intervenção imediata e rápida” para pôr cobro à situação das viagens de ligação de e para a ilha.

Francisco Tavares reagia, em declarações à imprensa, à situação que tem passado a Brava nos últimos dias no que diz respeito a viagens de ligação com as ilhas do Fogo e de Santiago, onde considera que a escala “não condiz com a prestação de serviços públicos no que tange ao transporte”.

O autarca considerou-se “desgastado” com esta situação, sublinhando que a mesma vem se arrastando nos últimos seis meses até esta data, onde a ilha já conta neste período cerca de oito a dez programações diferentes eliminando, assim, qualquer tipo de previsibilidade para quem quer fazer negócios ou visitas para a Brava.

“A situação é catastrófica, porque neste momento, nesta semana, passamos a ter apenas três viagens semanais onde uma é realizada na segunda-feira e outra, quatro dias depois, ou seja, na sexta-feira e uma outra no sábado”, indicou o edil.

Segundo a mesma fonte, qualquer pessoa que quiser visitar a Brava durante uma semana de trabalho é obrigada a tirar uma semana inteira, visto que, tem de entrar na ilha na segunda-feira e só consegue regressar na sexta-feira o que para ele é “totalmente impensável” para o que pode ser chamado de serviço público de transporte.

“Isso mostra claramente que a CV InterIlhas é uma empresa que já não está a servir a população e a economia bravense e sendo assim, Governo tem que obrigatoriamente tomar outras medidas”, exigiu o autarca, acrescentando que o “mais grave ainda” é que estas três viagens semanais são poucas e na programação que vai vigorar a partir de 15 a 29 de Janeiro consta-se que só haverá duas viagens semanais.

Neste sentido, Francisco Tavares disse “revoltado” de que “soluções têm de serem encontradas porque assim não dá para continuar” sugerindo que se a CV InterIlhas não consegue cumprir com aquilo que é a concessão que se procure outra companhia, mas que melhore a situação das viagens de ligações de e para a Brava.

Pois, considerou que com esse calendário em pleno século XXI, ano 2023, com duas viagens semanais está-se a fazer um retrocesso para talvez um período antes da Independência de Cabo Verde, destacando que desde 1987 que começou a viajar para a Brava constantemente não tinha visto uma calendarização com duas viagens apenas para a ilha.

O autarca reconheceu que houve momentos em que não houve barcos por causa de avarias, mas “uma calendarização de apenas duas viagens semanais claramente não é serviço público de transporte de passageiros de e para a Brava” e essa calendarização prejudica a Brava em todo o seu processo de desenvolvimento da ilha.

“O que é que um presidente da câmara municipal diz a população em relação a isso, ou aos operadores económicos na ilha que já fizeram investimentos significativos, mas que por um factor externo vêm tudo cair por água baixo”, questionou, reforçando que até o próprio Governo, com outros ministérios, nomeadamente do Turismo, Ambiente, Saúde, entre outros, têm feito avultados investimentos na ilha directamente ou via Câmara Municipal da Brava, mas que acabam por ficar em nada se a ilha continuar nesta situação.

“Infelizmente não é da competência da câmara municipal, mas o presidente, nesse momento tem de estar e coloca-se ao lado da população e da ilha, e ao lado dos superiores interesses dessa ilha que tem todo o direito de se desenvolver, assim como as outras ilhas”, enfatizou.

Francisco Tavares sublinhou que não se pode continuar neste “zigue zague” porque assim nunca mais a ilha vai desenvolver e a população não vai se sentir que está a ser tratada com igual dignidade como as outras ilhas.

“Tem que ver uma solução definitiva e menos do que quatro viagens semanais para a ilha são poucas, e quatro viagens, mas que a ilha não fique mais do que dois dias sem ligações porque é insatisfatório e revoltante”, finalizou, solicitando uma intervenção imediata por parte do Governo e do Ministério do Mar.