Brava: Jovem acusa Delegacia de Saúde de negligência durante o parto

  • 21/08/2020 05:18

Uma mulher de 30 anos, Dilma dos Reis, acusou hoje a Delegacia de Saúde da Brava de “negligência e descaso” durante o nascimento da sua filha que nasceu já sem vida.

Em declarações à imprensa, contou que já tinha completado os nove meses de gravidez durante os quais fez o acompanhamento médico e juntamente da enfermeira obstetra da ilha, e todas as consultas de rotina decorriam lindamente e sem nenhuma complicação nesse período.

A jovem disse que, no passado dia 18 de Junho, fez a sua última ecografia e o médico disse-lhe que estava tudo bem com o bebé.

“No dia 21 de Julho senti dor e fui à noite para o hospital e fui atendida pelos enfermeiros de serviço, que diagnosticaram pressão alta e não foi possível encontrar o foco fetal”, contou a jovem.

Sendo assim, os enfermeiros chamaram o delegado de saúde e a enfermeira obstetra que também comprovaram a ausência do foco.

Após esta constatação, a paciente avançou que o médico informou-lhe que caso ficasse até o outro dia sem que o bebé nascesse, teria de ser evacuada.

“A minha indignação foi o sofrimento que passei e o esforço que fiz até o amanhecer, sabendo que o bebé já estava morto. Uma evacuação de imediato não traria vida ao bebé, mas talvez fizessem uma cesariana e o sofrimento seria menor”, disse a fonte, relembrando que é do conhecimento de todos que a ilha não possui condições para a realização de uma cesariana ou de um outro exame.

Não obstante o sofrimento, a jovem salientou que não teve nenhuma explicação, sobre os motivos que levaram a criança a morrer ainda na barriga.

Também, apontou que naquele dia o hospital estava sem água e, tendo dado à luz por volta das 07:30, teve de aguardar até ao final do dia sem fazer a higiene pessoal.

Contactado pela Inforpress o delegado de saúde, Júlio Barros, confirmou a entrada da gestante na noite do passado dia 21 de Julho, com dor pélvica e sem foco fetal.

O médico avançou que a gestante informou que desde o amanhecer não tinha sentido o feto a mover-se e, pelo percurso de tempo feito, o feto já não tinha vida intra-uterina.

Segundo o delegado de Saúde, a paciente foi atendida pelos enfermeiros de serviço que o accionaram, e à enfermeira obstetra, para a avaliação do caso.

O médico reforçou que quando não detectaram o foco fetal, foi comunicado à médica ginecologista na ilha do Fogo, sobre a sua evacuação, mas a médica explicou que pelo tempo que ela levou em casa, o feto já não tinha vida intra-uterina e seria dado a sua evolução para expulsar o feto normal.

“Seguimos as mesmas indicações ginecológicas e pelo amanhecer acabou por expulsar o nado morto”, disse o médico.

Conforme a mesma fonte, já falaram com a paciente, mesmo no meio da dor e angústia pela perda do bebé e têm dado toda a assistência necessária.